• Renato Martins

ÉTICA DO CRIME ORGANIZADO ANÁLOGA À POLÍTICA NO ESTADO DE INSEGURANÇA.




A ética é um olhar criterioso sobre a moral, sobre o que temos de valores que permitam guiar o agir individual e coletivo de forma concernente ao bem estar geral. Pensar e agir eticamente nestes termos é difícil, mas, imprescindível e vital para convivermos com algo de justo e humano nestes tempos. Pensava-se que o crime organizado, como algo à margem, marginal, fora de aceitação social, deve-se inexistir com apoio social, ou ainda, ser uma opção de vida escondida por seus membros transgressores do contrato social. A política, como forma de relações humanas superior, deveria ser um espaço de virtudes compartilhadas, de combate e impedimento que a cultura da corrupção e da bandidagem não se alastra-se por atos e exemplos sobretudo. Infelizmente, para nosso país e estado, o que vemos é o inverso. E as vezes de forma assustadora a ética do crime organizado invadiu muitos setores da sociedade, se cristalizou, corporificou, e domina hoje muitos aspectos de nossa cultura. É evidente que tá na hora de um basta!




A explosão de nosso local de segurança máxima, o PB-01, revela enorme fragilidade em muitos fundamentos de gestão, principalmente o de inteligência preventiva da policia. Outra questão, que se impõe, seria, como funcionou o caro e propagandeado(propaganda é o único item que funciona muito bem neste governo) sistema de rádio digital comprado por mais de 30 milhões? será que falhou ontem e isso de alguma forma facilitou tragédias e desentendimentos nas informações entre policias? aguardemos... Fato é que até o número de fugitivos foram imprecisos por longas e decisivas horas. Um explicito e total descontrole.

Nossa madrugada de insegurança não terminou, na verdade só se amplia nesta gestão. estamos ruins no quesito prender; vejam quantas cidades tem seus bancos, correios e lotéricas invadidas e não se sabe como eles fogem, por rotas que todos conhecem ou deviam conhecer previamente. Na questão investigar; vejam como somos ruins de solucionar problemas e a impunidade não ajuda a segurança. Lembro aqui a execução de Bruno Ernesto que até hoje não está esclarecida, com inúmeras pontas soltas e uma mãe, Dona Inês Ernesto, sofrendo barbaramente na frente da sociedade e lutando para que órgãos federais façam justiça. Ela, assim como muitos, não crê mais no nosso aparato local de justiça na forma como está. Pensa assim mais pela incompetência das altas autoridades "máximas" - tal qual o PB-01 tem no nome- e sua seletividade esquisita no investigar, do que pela descrença nos policiais, em número insuficiente. Acrescento também o caso do Propinoduto, que a dita alta cúpula se recusou a investigar e nem permitiu ao Ministério Público decidir sobre seu arquivamento, logo, indevido. Caso ainda tartarugueando em algum inquérito civil por aí... O último quesito,que seria ao menos manter os culpados presos, quando se chegasse neles, este, explodiu também ontem a noite.

Por estas, penso que a ética do crime organizado quando absorvida ou imitada por uma gestão pública, condena todo o conjunto da sociedade. Em diversas áreas. Diversos setores. A economia trava com cidades sem bancos, e os serviços sociais se ressentem das verbas perdidas, os bons gestores se afastam, ou são afastados, cedendo lugar para quem sabe manejar, sabe ocultar, sabe driblar... isso como dito, tá mais para currículo de jogador de futebol do que de gestores públicos que seguem as boas práticas e os bons valores. Por isso constatamos que os eleitores estão valorizando demais o item honestidade e ficha limpa de verdade, de forma comprovada, completa e totalmente. Tendência do eleitorado que parece não mudar com promessas do tipo: "vou assumir a responsabilidade, não vou culpar nem me esconder atrás de secretário nenhum, eu vou resolver em 6 meses os problemas da segurança pública". O resultado desse falatório fácil está ai...

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