• Renato Martins

A FIFA E SEU VAR: O QUE A GESTÃO PÚBLICA TEM COM ISSO?


Assistindo jogos que minutos após um gol, ou um mero escanteio, aparece um Juiz com fone na boca, para marcar penalty, ou invalidar um gol. Me pergunto se com a medida de termos hoje jogos com 5 juízes em campo, 1 fora e mais um sistema de vídeo-arbitragem chamado VAR, o Futebol tá ficando mais justo ou chato. E, seria oportuno a Gestão Pública imitar mecanismos assim em busca de legitimidade?

O debate moral impõe que a racionalidade produza somente regras justas. Mesmo que relativas e revisáveis, o esporte, assim como a gestão pública ou privada é uma atividade humana racional que deve tender a justiça como algo universal para se validar. No mérito! O esporte futebol, mesmo lúdico, sujeito ao delicioso acaso, gerador da emoção, do fator humano que não foge de nada construído por nós. Afinal, em geral, tudo pode ser arma e pode ser flores. Até uma simples cadeira. O gênero humano pode sentar nelas ou bater no próximo com elas...

Refletindo o FUTEBOL PADRÃO FIFA, que chegou no nível de excelência e sucesso econômico, com tudo que acobertou, há quem afirme que até a máfia italiana lavou dinheiro no futebol, enfim... Tantas denúncias de dirigentes, tantas prisões recentes e Interpol no caso, que a entidade chegou ao ponto de se proteger de si mesma. Faz isso para garantir sua missão. Hoje temos apostas, venda de imagens para TVs, patrocínios, e por ultimo é que entra a renda no estádio como fator de lucro de muitos clubes. Mas a base de tudo isso é credibilidade competitiva. Senão, não seria apostar ou torcer como queremos, é só a arte de quem manipula melhor. Isso a FIFA parece hoje querer combater em todas as esferas, sobretudo nas 4 linhas. No seu choque de gestão agora não mais são somente 3 árbitros, tem-se mais dois de linhas de fundo. Um quarto arbitro antes alegórico, agora tem fone para falar tudo que vê, intempestivamente ou não. Isso tira um pouco da emoção espontânea, da malandragem "tolerável" da arte futebol? Há aqueles torcedores que querem a emoção e não a razão que não a desautoriza. São vitimas disso também é claro. Precisa nem esticar a análise. Na gestão pública temos muto disso no Brasil. Muito mesmo. Tudo bem similar. Aqui nossa FPF é exemplo forte disso tudo, e há anos nada muda muito... Agora está mais uma vez na justiça. Eu fiz parte dos que tentei muda-lá... Tentei CPI, tentei vencer via voto. No entanto, as forças da "realidade" vem se mostrando acima de minhas utopias há anos. Isso não encurta minha visão nem minha fé no futuro.

Mas qual a relação dessa cara sofisticação do futebol rumo a justiça e a necessidade de choque de honestidade na gestão pública? Futebol vive uma época de radicalidade do fato. Ficar mais justo está acima do risco sobre o que for mais chato ou menos lúdico, como foi a final recente da copa do Brasil com o Cruzeiro derrubando o Corinthians via VAR - 2 vezes. Salvo o jogador de seleção assassinado na Colômbia em 94, pelo tráfico, dificilmente o futebol é questão de vida ou morte. Futebol é escolha, um tipo de lazer a mais no mercado. Com seus atores a serem julgados por nossa conveniência, qualquer coisa, basta desligar a TV e ponto final.

Já, gestão publica não é escolha, não é questão de consumir ou não. Gestão Pública sempre é uma questão de vida ou morte. Moral e ética no mínimo. Daí me pergunto, será que ferramentas novas como o VAR é no futebol, não serão necessárias no gerir das ações de gestão? Na câmara defendi minha ideia de Democracia Direta pelo Celular: onde todos teriam na cidade um aplicativo para avaliar e julgar os serviços municipais que se fizesse uso, uma ideia simples e revolucionária, onde creches, UPAS, escolas, PSFs e outros equipamentos seriam avaliados periodicamente por seus usuários de forma a avalizar ações de gestão. Por ele também poderiam haver votações de prioridades por bairro. Por fim, até nas obras, como as de calçamento, ou a da lagoa por exemplo, antes de se fazer o último pagamento, poderia se perguntar ao povo/usuário que vendo a obra, se ela tá mesmo, tal qual prevista no seu termo de referência licitado e contratado. Ora bolas amigos, se até a suspeita FIFA tá tomando vergonha na cara, penso que a classe política e a população terão a oportunidade de assim fazerem isso agora. No nosso tempo histórico. Por que tempo é o que nunca temos de sobra, mas, no entanto, é a unica coisa que temos para nos sentirmos vivos.


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