• Renato Martins

A república paraibana em cheque



A política, falo dela aqui com P maiúsculo, que envolve o conjunto da ordem social no estado, está em cheque. Dos órgãos de controle aos demais poderes. Bem como o conjunto de relações estruturantes de contratos, com suas partes, tudo sob a mira de uma inspeção jurídica mas, também, ética. Observemos bem, em qualquer roda, de qualquer segmento de servidores públicos - das policias ao setor de obras - só se comenta sobre um vazamento do respectivo órgão por vir. Um cenário marcado sempre com um "algo" grotesco e eminentemente por ser publicizado. Contexto verdadeiro, porém trágico.


Esse passar a limpo, essas revelações e as punições que se encaminham para apreciação, seja da justiça, seja nas urnas, em si, não formam motivos de alegria tampouco motivo de tristeza. Não se trata de coisas escalonáveis por esta ordem de humor. Antes, penso ser um momento de reflexão geral da sociedade. Oportunidade ímpar de enxergar novas rotas. Ver o que não se via pelo sufocamento do aparelhamento no estado e encontrar boas tecnologias de controle acrescidos com novos mecanismos positivos de geração de resultados sociais equânimes, sem altos impostos atrofiantes, e com máximo aproveitamento dos mesmos em quantidade e qualidade das ações na gestão pública.


Otimista que sou, creio que junto com essa onda de descobertas ruins, temos, por outro lado, muitas pessoas do passado a serem feitas justiça, inclusive políticos (tão desgastados no país), com mandatos eletivos ou os derrotados nessas urnas aí da vida, por eleições deste tipo - viciadas. Assim, concluído esse momento de diagnóstico, se iniciará uma nova fase de perscrutação da sociedade em torno de novos perfis com atualizadas e melhores ideias. Ressalvando os bons gestores públicos que a mereçam: renovação geral é no que eu aposto. E essa etapa de justiça quem deve fazer é o cidadão eleitor. Essa responsabilidade nossa no voto é intransferível e, em meio a tanta "transparência" na política feita pelo MP, é agora indesculpável errar. Agora sabemos que o setor público é rico, muito capaz de melhorias e avanços, incluindo até diminuição dos impostos combinada com melhoria dos serviços, algo sempre dito como impossível pelo status quo, mas que é explicitamente real, visto os percentuais desviados que a Calvário vem demonstrando.


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