• Renato Martins

AS BRUXAS DE SALÉM E A POLÍTICA.

A história norte-americana das Bruxas de Salém no fim do século 17 é bem conhecida. Ela comprova a existência de histeria e psicoses coletivas, transmissíveis como gripe. Assim como os oportunistas que racionalmente enlouquecem e aproveitam para eliminar seus inimigos de forma fria. Neste trágico episódio, pessoas alegavam ser vítimas de bruxarias e quando pressionadas pelas autoridades saiam acusando a quem lhe conviesse como os enfeitiçadores, e, assim, temos um cenário onde todos poderiam ser bruxos; de pastores em suas discordâncias, a vizinhos, até intrigados por concorrências comerciais. Nessa loucura acusatória até um bebê de 4 anos foi interrogado como adulto e condenado a fogueira. Um Gugu Dadá foi julgado como demoníaco. Pura sandice. E não pensem que coisas assim não voltam a acontecer. Na verdade ocorrem muitas vezes na história.


A política brasileira passa por essa fase de todo mundo poder ser um bruxo da corrupção, e todos se esforçam a externar as bruxarias do outro. Os dedos apontam-se mutuamente. Ninguém escapa. O debate sobre os modelos de gestões baseados em visão estratégica e do conhecimento fica sem seriedade nenhuma, nem tão pouco o combate a corrupção ganha mais força e resolutividade. O dinheiro não volta e o roubo não para. A impunidade e o desleixo sobre a corrupção em nosso estado mesmo é um desfile apoteótico. As instituições dançam em círculos, cada uma com seu jogo corporativo. Só ás vezes virtuosos. Mas em geral lentos.

A tecnologia para avanços de gestão já existe. Em todas as áreas do serviço público.

Qual a saída do inócuo efeito Bruxas de Salém na política? A resposta passa pelos subjetivos conceitos de ética e sabedoria, mas que se resolverá na prática com o eleitor como sujeito ativo. Nós, eleitores, que devemos evoluir. Buscar a história e não propagandas, ter noção real da economia mais que da política partidária, ver o tamanho do estado e quanto ele toma de tod@s e observar para quem ele dá (Ultimamente no Brasil vivemos a era dos pagamentos altos da divida pública e dos campeões nacionais - vide Odebrecht, JBS e outros que não eram ainda tidos como bruxos tal qual o Duda Mendonça do Jampa Digital) que deu no que deu. Fugir da priorização da satisfação imediata na hora do voto, fugir de personalismos, e, buscarmos as experiências que deram certo e que se empenham em ainda se aperfeiçoarem mais. E sem essa de cultos a ninguém. Esses cultos a políticos sempre custaram caro à sociedade. Nosso evoluir é que deve superar os bruxistas dos males da gestão pública, que nem pune nem melhora os mecanismos de gestão. Essa tarefa é nossa. Elevemos nossos critérios para com a democracia em sua radicalidade. Por melhorias mesmo!

É nosso senso de sí mesmo que está em jogo. Disso se gera a sociedade.

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