• Renato Martins

AS MÁQUINAS TROPEÇANDO EM SI MESMAS: CASOS QUE NÃO LHE CONTAM.



Crédito: Regis Soares internet

Cena 1: imaginem uma chefia de regional de ensino, uma espécie de “gerente” das diretorias de escolas, ligando para suas subordinadas, enfatizo: diretoras de escolas. Seria ligação pedindo para que elas intensifiquem esforços no processo ensino-aprendizagem? Infelizmente não. Imaginem que vergonhosamente o pedido fosse para que elas lotem ônibus, estacionados nos arredores, prontos para levarem alunos à “paisana” para animar as visitas de candidatos, que nas comunidades, por si mesmas, não animam mais ninguém. Para forçar aparência nas ruas, tiram os alunos das escolas para que eles, ao prejuízo da essência deles, virem animadores de torcida. Seria uma cena certa? Seria ela uma cena real? Chamo isso de tropeço na própria estrutura. Os jovens hoje não guardam segredos. Alguns gostam de faltar aula, isso não é novidade. Novidade triste e infeliz seria ter gestores do núcleo central da gestão facilitando isso; precisamos de gestores combatendo isso. Mais que TRE, muito mais que TRE, lesar a educação financeiramente e ‘conceitualmente’ é imperdoável. Imaginem só essa cena na real...


Cena 2: Um trabalhador uber passa por um grupo grande de pessoas segurando bandeiras num sinal, ele se pergunta: entre as pessoas simples e as mais bem vestidas da aglomeração, quais são de fato cadastradas na prestação de contas de ativista que vai para o TRE? Esse contraste de aparência e de registro oficial de militante, é um caso para antropólogo estudar, um grupo não se afeiçoa ao outro. Se delatam em olhares. Manter distância de perto, e nas mesma funções, é uma "violência" constrangedora. Os mais simples não se calam quando terminam seu balançar de bandeiras. Mais tarde, nos seus bairros, comentam: “oh povo desanimado, não abordam os carros para não receberem xingamento, não adesivam ninguém, ganham no mole”. Indiferente ao local de cadastro, o eleitor não se sensibiliza com aparência... Para não dizer que não falei no UBER, onde ele entra nesta história, sim amigo, pensem um pouco sobre o que ele interpretou: passa o dia todo na luta das corridas para pagar aluguel do carro, gasolina e tirar quando num dia bom, 50 reais depois de 12 horas corridas (literalmente). Deste uber, só se ouve palavrões sobre tudo isto que pintei neste quadro. Impublicáveis e até injustas. Minha questão aqui é mostrar o novo solo eleitoral. O novo momento. São Paulo já é assim. Lá nem adesivo fazem mais. 2016 na capital paulista, candidato nenhum gastou com adesivos, as pessoas não querem. São mal vistas se usarem e os candidatos perceberam que perdem votos se os disseminarem. A mensagem que passa é contrária.


Cena 3, último ato: Carreatas e caminhadas vazias de gente e cheias de confissões sobre o candidato “mobilizador”. Tudo rolando nos zaps e redes sociais da vida. Um mundo paralelo com muitos mais verdades que 'FAKE NEWS', sim amigos, os problemas para os candidatos não são as fake news, são as verdades mesmo, vias os zaps da vida. As maquiagens e montagens de marketing estão sem efeito. A cada ação dessas, politicos parecem mais perderem que ganharem. As formas antigas de se fazer mobilização política foram extintas de forma rápida, e por um motivo simples, a população em geral julgam que elas fazem parte do problema, não da solução. Hoje só a honestidade comprovada dá direito de fala, e, mais ainda, de escuta. A estética perde para a ética. Curioso é ver "máquinistas" assustados perante estes novos dias. Políticos experientes se acotovelam para essa coisa de - cadê tua palavra; de lado a lado se destroem, tropeçam nos aliados, e numa estrutura gigante, porem estéril, num mar de dúvidas sobre se vale a pena cumprir a palavra dada, ou dar logo marcha a ré, jogando um dedo do meio esticado para o “amigo de ocasião”. As práticas antigas em crise, usadas ainda pelos novos, enquanto que o velho, com práticas novas, todo dia encanta mais uma mãe que descobre que seu filho não foi a aula por essas cenas, traída pelos seus gestores educacionais de plantão, ganha apoio de um uber indignado com essa obscuridade sem méritos, ganha um desempregado que não sabe onde esta o dinheiro da saúde quando se viu com a necessidade dos Traumas(inhas)... Os conceitos de honestidade e servir ao público por vocação, sem estrelismos fictícios e danosos, estão no ar. A mover uma onda gigantesca de integridade.

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