• Renato Martins

CABEDELO: A CHANCE HISTÓRICA DE TRANSCENDER O MECANISMO.


Quem leu Montesquieu e seu inigualável princípio dos três poderes, sabe bem de sua atemporal genialidade de engenharia social. Falou em poderes independentes que evitassem absolutismos, e, se cada um dos poderes fizesse sua parte, cada qual faria com que o outro desse seu melhor para a república. Cada poder autônomo cobraria inovação em virtudes do outro poder. Algo genial; um ciclo socialmente eficaz. Infelizmente no nosso país, no nosso estado inclusive, Montesquieu vem perdendo para um "jeitinho brasileiro" chamado Mecanismo.


Vejamos, todos os últimos casos sistêmicos de corrupção, um deles em Cabedelo, na Operação Xeque-Mate, e o último, mostrado agora na Calvário do GAECO-RJ. Um, numa prefeitura rica, outro no poderoso executivo do governo estadual, demonstram que nada de mal ocorreria se a república tivesse funcionando bem preventivamente. Seja Câmara Municipal, Assembléia, juiz de comarca ou desembargadores, incluindo o MPPB, tivessem atentos em suas funções sob o comando do soberano cidadão-eleitor. Portanto, a não-república é premissa para a relação incestuosa entre os membros gulosos dos poderes prevaricadores, que, quase invariavelmente, geram nesse doloso cruzamento, um filhote geneticamente indesejado: a corrupção e uma sociedade da desvirtude.


Aí residiu a origem, e ainda é morada, do temor atual de muitas autoridades de poderes sortidos, tanto sobre o Calvário estadual com a possível delação do detido Leandro Nunes, ex-SEAD, e, as supostas caixas para destinatários poderosos ainda indefinidos (?), como segue o mesmo contexto na expectativa de delação do ex-prefeito de cabedelo, bem como do suspeito e supra-partidário (de acordo com Fabiano Gomes) dono do Shopping Manaíra, em um xeque-mate ao mecanismo portuário (?), ou mais até.


Falei desses princípios, porque nesta ótima oportunidade de eleição extraordinária em Cabedelo, de depuração sociológica que todos terão em 17 de março, me chegam revelações que já na pré-campanha, como também agora, claro, existem indícios de membros do poder judiciário, parente do juiz da cidade, igualmente do chefe do TRE local, e, até de chefias internas do fórum eleitoral, que estão bem entranhado no rol de comissionados do poder executivo ora em reeleição. Se confirmados estes cruzamentos que o blog está avaliando, no mínimo, a sociedade precisa ter consciência do que se quer de seus líderes, da sua responsabilidade nesta catarse cidadã, e, de como sua república deve agir para o bem comum prosperar... Precisam ter noção de sua cumplicidade nas coisas gerais de sua vida coletiva. Dosar critérios precisos.

Por outro lado, em sendo verdade mesmo, que juízes e outras autoridades judiciárias, como dirigentes do cartório eleitoral da cidade, tenham mesmo seus entes, próximos da máquina municipal comissionada, é necessário que os mesmos enxerguem a radical exigência para que sejam ainda mais exemplares em gestos de intenção e justeza imparcial, de forma a mais que serem honestos e corretos em seu agir, o que deve ser o básico, sejam também aparentemente assim. Já que, como deve ser de conhecimento público e moral, existem nessas condutas em averiguação, iconografias arquetípicas de cruzamento e incesto, que como já dito antes, se configuram comumente, em um modelo padrão de relação nociva à sociedade e as funções rigorosas que se esperam destes bem pagos servidores dos poderes, que se devem autônomos a cobrarem eficiência entre si.


Voltando a Montesquieu, tão lembrado nos concursos públicos para o magistrado, ele não fala em balela de relação harmônica entre poderes, assim como não fala em relação de conflito, essa necessidade de "adesivagem ou de briga" é falacia de tradução de botequim. A república ideal dispensa essas portas da corruptela, poderes tem de serem distintos e independentes. Por isso são caros a sociedade. Na verdade, a meta é cada um zelando pela virtude de si, para assim, se obter e poder gerar mais a virtude do outro. Esses adjetivos de amiguinhos ou inimiguinhos é algo inato aos "acordismos" do Mecanismo. Não a essência da Res publica. Falei muito disso quando vereador em JP; para pedir CPIs que investigassem todos os lados, auditorias populares nos contratos de concessão pública como coleta de lixo, transporte coletivo e zona azul, também quando pedi atenção a meu estudo técnico sobre saúde pública e a cada votação que sabia ser um arrumadinho onde as maiorias dos bem pagos vereadores sequer tinha lido a matéria em questão. Sabotar a república é abrir portas para a corrupção sistêmica - O famigerado Mecanismo. Calvário e Xeque-Mate em casos assim!!!


O tragicômico, que merece repetição enfática, é que pagamos caros salários aos líderes desses poderes para eles não serem promíscuos, mas como todo estimulante perverso, o efeito resultado, é quase sempre ver a 'vítima' querer mais, no caso, quando não no seu poder, se busca no poder do vizinho. E assim, em vez de virtudes trocadas, temos uma república que propicia o florescer de vícios. Escrevo isso, torcendo pelo bom aproveitamento da magnífica possibilidade que o povo cabedelense tem de se livrar, também, dos seus próprios vícios sociais. Eles sabem bem o preço disso. Espero que atinjam a auto-consciência de todas as suas dores e atrasos, e alcancem a condição de referência que a bela cidade merece.


Sucesso ao povo cabedelense! Êxito ao gestor eleito no bom uso ético e administrativo da ciência da Gestão Pública em sua administração. É o desejo e objetivo deste blog independente.

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