• Renato Martins

CONHEÇA AS LAVANDERIAS MADALENAS: LAR DAS MULHERES PERDIDAS.


Dia 8 de março, é repetitivo e legítimo, lembrarmos do famigerado incêndio em fábrica têxtil que matou 130 mulheres em trabalho precário na data de 25 de março de 1911 em Nova York. Acontece que nosso gênero humano é muito mais bizarro ainda. E muito misterioso e amplo no uso irrefletido dos valores bem intencionados para todo tipo de barbarismo. Hoje, falarei a vocês de uma história pouco contada, mas extremamente elucidadora da importância da luta pelos direitos igualitários de proteção, justamente pela diferenças que todos nós, humanos, temos entre si. Lhes contarei a triste história real das Lavanderias Madalenas; o asilo das mulheres perdidas.


Em 1765, criou-se na Irlanda, o primeiro lar para mulheres tidas como "erradas", que possivelmente poderiam ser tentadas à vida na prostituição ou assemelhados. Nesse meio, claro, entrava as mais diversas situações comportamentais, de mulheres grávidas fora do casamento, a homens sem caráter que para livrar-se de seus casos extra-conjugais, encaminhavam-nas, essas mulheres, agora em "desuso", para esse exílio que raramente era só temporário. Muitos escândalos foram se acumulando e sendo abafados, nessa estratégia de "tratamento" psico-espiritual dado a estas pobres mulheres "pecadoras".


O nome de Lavanderia Madalena, dado ao asilo, era porque a atividade que sustentava essas casas era a de lavanderia e o corte e costura. Em regime de semi-escravidão e internato, sob severas punições e isolamento para orações forçadas. Daí, das atividades pseudo-religiosas, mesmo que sob maus tratos e espacamentos, vem indevidamente o nome de Madalena, nome santo, como que para dar caráter de redimição e purificação pessoal das mesmas. Estima-se que só na Irlanda, passaram 30 mil mulheres neste sistema de "tratamento de choque". Não precisa dizer que muitas morreram. E muito pior, escavações feitas no fim do século XX, descobiram cerca de 800 ossadas de bebês mortos por motivos não esclarecidos, que devem ir do aborto tardio a outras questões ainda não definidas. Em 2013, o governo Irlandês pediu desculpas oficiais ao mundo, pelo trabalho forçado e os abusos nessas instituições. Por pressão da ONU mais investigações ocorrem em outros países. Indenizações estão em andamento, afinal, pasmem amigos leitores, a tal casa das mulheres perdidas só fechou suas portas em 1996. Eu tinha 21 anos e jamais sabia da coexistência de algo assim, e de forma oficial.


Casos como esses, fortalecem minha convicção anti-aborto, e digo mais, é necessário a polícia investigar quem o pratica (homem e mulher - juntos) e responsabilizá-los. Ser pai e mãe é obrigação. É dever. Mesmo que os pais não sejam casal, a criança deve ser preparada para a vida por estes, responsabilidade intransferível, e com o melhor dos cuidados, amor e desenvolvimento cognitivo. E isso por lei, e com o rigor dela. Observem bem que as instituições, "lavanderias", que a história nos conta, se proliferaram pela europa, chegaram até os EUA (o que não chega neste país né?) e com o tempo e omissão das autoridades, foram se tornando depósitos humanos de filhas acusadas de "desonra" para a família namorando antes do tempo, mulheres com alguma deficiência também eram abandonadas pelos seus parentes neste ambiente, e por aí vai... Virando este lugar uma verdadeira terra sem lei, blindada por religiosos de nenhuma fé e coração. Esquecidas de de todos. Repito; de todos do mundo ocidental, já bem abençoados pela democracia e pela vital noção liberal de que todos os seres humanos devem ter a condição de buscarem pelas suas realizações, quando na legalidade e moralidade. Nenhuma dessas coisas existiam neste lar das chamadas mulheres perdidas.


Minha observação final, nesta data de reflexão sobre as mulheres, fica com o absurdo de usarem o nome de Maria Madalena neste projeto de "conversão feminina". Tenho nojo para com quem faz uso de simbologias de purificação espiritual e transcendência religiosa para inescrupulosamente servirem a suas perversões mais sombrias. Sim, essa lavanderia era uma perversão. Simplesmente isso. Uma perversão de homens maus, de mulheres também, que nelas gerenciavam com suas neuras violentas e que vitimaram bebês, crianças e mulheres por motivos torpes e indizíveis. Uma perversão de autoridades silentes. Gente assim não pode prosperar em nosso planeta. Episódios como esse precisam ser relembrados hoje, no dia internacional das mulheres. Nunca mais repetirmos esse lado negro do agir humano!


DÁ O QUE PENSAR:


Dias das mulheres é um bom dia a mais para termos a noção de que sentimento família e solidariedade, são coisas para sentirmos o tempo inteiro. Uma postura existencial frente a vida.