• Renato Martins

DOIDIVANEIOS GIRASSÓIS E A CARTA DE FÁBIO MAIA

Atualizado: 28 de Nov de 2019


Não vou começar explicando a antiga expressão “doidivaneio”. Tentemos mostrar os fatos e assim tê-la internalizada. Tomemos a carta do girassol Fábio Maia pra demonstrar isso. Considerando que nada indica que o mesmo tenha papel na ORCRIM que se descortina a luz do dia, por isso pôde escrever algo pra se chamar de carta, vamos então enxergar o que tenha de racional na expressão: “Eu sempre estive pronto para o que fosse necessário ideologicamente no PSB”. Uma das frases escrita na carta que ignorou dar motivos de sua ausência no local de trabalho por extenso período. Fato dito pelo seu chefe - o governador João. Veremos que não foi apenas nisso que ele trocou tapas com a realidade, com os fatos.


Evidente que a carta post, ao falar de dono de obra, também ignorou a carga tributária, os índices de concentração de renda, a limitação dos resultados na política educacional. Tudo isso lastreado pelos números oficias que nos colocam entre a penúltima divisão de renda do país, a maior carga tributária no combustível por exemplo e um número gritante (pois escrevendo não dá pra dizer para todo mundo) de analfabetos funcionais. Dados aí para simples conferência no Google. Mas espanta mesmo, nessa carta que trava luta de morte com os fatos, posto que a carta não cita nada sobre a Operação Calvário e seu impacto nas políticas públicas estruturais, notadamente saúde e educação.


Mas não vou esticar muito. Ele fala na postagem que não precisa de cargos. Penso que as muitas pessoas que ele pode ter “ajudado” para ter nomeação, tendem a estar agora pensando o que ele quis dizer com isso. Com certeza essas pessoas trataram algo com ele. E em si, nada disso de distribuir “seus” espaços generosos no estado tem de ilegítimo, aprioristicamente falando. Só não oferece realidade a sua fábula escrita contra João com tom emotivo.


Em síntese: os monstros dos moinhos de vento que Dom Quixote viu, foi por paixão. Um delírio para salvar seu amor; a nobre, doce, bela e fogosa Dulcineia de Toboso (isso no gosto de Cervantes). Não era um conto de mentira dolosa para gerar um efeito de sofisma. Quixote não era mentiroso, poderia até ser doente - poderia até preferir falsas verdades que a verdade. Mas não reconhecia a mentira pura e direta. isso não o satisfazia.


Em outro exemplo, o delírio que fez os 300 de Esparta "verem" milhões de homens numa batalha gloriosa em vez de natimorta, quando na verdade tratou-se de erro estratégico mesmo, que levou não 300, mas milhares de espartanos a morte num ato que beirou o suicídio puro e simples. No entanto, o dito exagero de narrativa dos espartanos se dá por uma busca de virtude que na vida real envolveu a vida dos próprios envolvidos. Pagaram com seu sangue por seus erros táticos. A narrativa exagerada de virtude que gerou a lenda mitomaníaca da batalha não tira o mérito da pena máxima que eles pagaram tentando acertar. Tentando defender, e não tirar do seu povo. Fato né? Bem diferente do mito risível que querem criar sobre a descoberta da Paraíba.


A carta ignora uso de hangar para recebimento de propina (Fábio por sinal teve no hangar com RC ao menos uma vez em 2019, lembram?); esquece convenientemente do uso de autoridade militar para escolta da propina. Uso de instrumentos da sociedade para agir contra a sociedade. Não sei se isso é o tal agir de forma necessária pela ideologia do PSB...


Destacarei, por justiça, uma outra frase da carta mitológica: “prefiro a dúvida momentânea do que vivemos a certezas que eles pensam que tem”. Seria isso uma referência senão as causas ao menos aos efeitos da Calvário? Pelo sim, ou não, essa confessa dúvida não levou o sangue deles, mas de muitos pacientes da saúde pública e jovens educandos. Ele como professor e chef sofisticado deveria saber que nem toda caixa de vinho com lagosta é apenas uma caixa de vinho. Ela pode ser inúmeras outras coisas - menos ideologia. Caixa de vinho não pode ser uma ideologia. Ao menos não deveria ser!


O ex-secretário termina a carta falando de um “eu passarinho”. Muitos dos membros do partido e dito projeto, são hoje confessos membros de uma ORCRIM, sabem bem, que de passarinho passaram a viver dias de gaiola, e agora vivem dias ajudando a lei a reencontrar os recursos e o chefão da ORCRIM, para não deixar outros bandidos no tipo de vida “passarão”. Passarinhos passarão??


A doidice com devaneio gera um “doidivaneio”. E relembrando Marx, numa adaptação livre de seu texto sobre materialismo dialético: assim como o exemplo do vinho acima, uma carta é só uma carta, ela pode virar o que o escritor e leitor quiser não é mesmo, devido às condições históricas dos que a usam, determinando ideologicamente sua finalidade/utilidade. Só não vira verdade só por ser uma carta. Não passa de uma reles ideologia de grupo, um falseamento usado por uma organização, nunca fruto de uma classe social. Nunca pelo interesse público. Como regra, só interesses privados se organizam em ORCRIM.


Me permitam, tenho o direito de atualizar Marx nessa sua genial frase. Já com meu conhecimento de causa sobre as práticas dos marxistas dos séculos XX e XXI. Penso que Marx não ficaria feliz com a práxis dos que se rotulam marxistas. Porém, tenho um outro motivo que me autoriza reinterpretá-lo; eu o li de verdade. Os outros, que se reivindicam marxista raiz atuais, eles só leram a orelha do livro mais bobinho dele (o manifesto). Também, pudera, expertos, melhor que ler, se dedicaram mais a nobre arte de beber vinho com delícias requintadas fruto de um preparado feito por trabalhadores inominados e desconhecidos por eles. Exceto nas eleições, onde o milagre do vinho multiplicado se faz. Ao menos o vinho de boteco.

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