• Renato Martins

Dra. LÍGIA: DE HARVARD PARA UMA SUBMISSÃO TUPINIQUIM PERMANENTE.

Atualizado: 11 de Ago de 2018



Lígia de novo na vice do PSB. Boa esposa vai ao sacrifício pelo marido. Isso justifica mesmo tal decapitação do amor próprio? Assim leio numa primeira interpretação. Sei o quanto ela e assessores foram desprezados. Vi tudo isso várias vezes. Inclusive com cortes salariais por retaliação aos vinculados a ela, perseguições e destratos nos órgãos. Pior, teve o filho envolto em dúvidas criminais de forma irresponsavelmente saída da boca do próprio governador. Das falas afetadas contra ela e por aí vai. Mas, a democracia é direito nato de escolha. O que me chama a atenção é imaginar a alma de alguém que sentou em uma Universidade como Harvard, uma das melhores do mundo, onde lá, não se deve ensinar a engolir sapos, ser pusilânime à injustiças, inclusive contra si e os seus, e, estoicamente vencer o "ego" rendida. Renunciar o amor próprio. Paradoxalmente nada há de zen budista nisso. Na verdade mais parece é apego ao poder pelo poder. E pior; o poder é doce, no entanto, a aparência de poder é mais doce ainda. Por que, no fundo, é só disso que se trata nessa estória - aparência de poder- só que como diz Heráclito, lá na Grécia antiga, nada é o mesmo, não se pode entrar no mesmo rio sendo a mesma pessoa, pois ambos, o rio e o homem, mudaram neste intervalo de tempo. E a história, vulgarizando Marx, tende a se repetir como tragédia. Desta vez, torço que não mais para os Felicianos. Pois nem tudo na vida é questão de poder.

Permitam-me um desabafo, esse meu mesmo, de eu para eles: como uma pessoa se torna rica, de sucesso, por seu suor, instruída por seu próprio empenho, doutores da ciência da vida e na vida. Independentes. E tudo isso para mendigar migalhas de atenção circunstânciais. Isso me faz recorrer novamente aos Gregos, da escola antiga dos Cínicos (significa Cão em grego e nada liga ao cinismo nosso do português, antes lembra a comunhão com a liberdade dos animais como forma de vida simples e feliz), tendo como mestre Diógenes, zombado por um nobre por vê-lo a comer um singelo prato de lentilhas, quis tirar onda com ele dizendo que se ele fosse da corte e aprendesse a ser submisso e bajular o rei, não comeria essa porcaria. E ele, Diógenes, o Cínico, calmamente respondeu: - se você aprendesse a comer lentilhas, não teria que bajular o rei. Eu particularmente sigo isso ao preço que for. Mas Diógenes, ainda queria ir mais longe em seu ensinamento, talvez quisesse dizer que babões não são nada nem para si mesmos, portanto incapazes de formarem um "eu" para chamarem de seu.

Negar a si mesma, por um poder imaginário, É SER UMA CARICATURA CONSTANTE DO PODER QUE DESEJA TER. Aqui sou eu mesmo falando inspirado pela cena tétrica do dia.

A Dra não é uma traidora. Não é uma conspiradora. Não merecia ser vítima do tal 'golpe' da Guarda Privada constituída como um ardil só para desmoralizar a tal “malícia dela”. Vi sua angústia numa entrevista de rádio em Nilvan, onde um áudio do governador, que ela nem sabia, a desmoralizou integralmente. Ela gaguejou, entornou a voz, engoliu seu espirito. Dor de murro dói menos. Sentia-se isso nas ondas do rádio. A Dra não é nada disso que disseram dela. Mas quem sou eu a dizer o que ela é depois de tudo isso!

Este caso foi o único que de fato me deixou pesaroso. Não por questiúnculas eleitorais. Nada disso. Os restantes dos partidos nada de novo são para de novo fazer. Porém, no caso do meu estimado Dr Coração e da Dra Lígia, eu entristeci por eles.

Antes da própria vida; antes de tudo da vida; dignidade!


Mudando o astral e virando a página.


O coordenador da campanha de Maranhão, o deputado Wellington Roberto, foi muito firme em afirmar que o curriculum de Lucélio se resume a ser irmão do prefeito Cartaxo. Pego carona com ele e penso que os Cartaxos dão uma cartada alta num momento onde política não pode ser algo distante de uma vocação, um sacrifício e não um privilegio, não pode ser um prêmio. O diferente disto é o perigoso mais do mesmo. Algo da contaminação da ânsia privada. Só o futuro pode dizer no que essa sede de poder vai dar para eles e para nós, vassalos, neste plano ousado e colossal que lembra a África tribal do século XIX.

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