• Renato Martins

EFEITO MORO E EFEITO CABRAL: A QUÍMICA DO CENÁRIO DE 2020



2019 vai preditar 2020 nas eleições municipais, por dois fatores visíveis. O que chamo de Efeito Moro e Efeito Cabral. Vejam bem, num cenário improvável de manutenção da inércia das autoridades judiciais e policiais locais, onde a obscuridade reina nas instituições e na mídia, o favorito seria o ex-governador. No entanto, ante todo o burburinho de aquecimento dos bastidores de um pacote de verdades chocantes contra os “cardeais” girassóis, parecendo pegar em rede de arrasto a muitos. Temos uma espécie de lava-jato mirim iminente na terrinha. Neste cenário verdades serão repostas. Reputações reconstituídas e os idealistas justiçados. Os pragmáticos da ética de crime organizado terão que devolver tudo de material e imaterial que tomaram a revelia da lei. Do ponto de vista político, um dos primeiros sinais do alvorecer das verdades, é a chegada do ex-senador do PT carioca, Lindemberg Farias, que sabendo do possível colapso dos caciques do PSB local, já se apresenta no velório como o substituto da esquerda. Uma espécie de estratégia Ciro Gomes, que queria substituir Lula em 2018. De certa forma seu agir é coerente em termos de perfil desta turma, todos cheio de caviar, lambuzados do dinheiro público dos nordestinos. Importante também registrar que, embora o ainda senador deva saber bem das bombas por vir ao PSB-PB, ele também depende de muita inépcia da justiça para poder ser ao menos candidato. Enfim, até nisso a candidatura dele é igual a do ex-governador e prefeito. Por isso, até aqui sua pré-candidatura reflete mais o desespero da esquerda com o que está por vir do que algo para ser levado a sério.

Assim ocorrendo, teríamos da ala do governo pouco oxigênio eleitoral e muito esforço na defesa entre os membros com delações entre eles ou não. Talvez por isso fosse inteligente da parte deles pensar em novos nomes tirados na base de apoio, que estejam limpos, o que provalmente deve dar oportunidades aos outsiders, como o popular e capaz Felipe leitão, muito bem votado na capital, cerca de 13 mil votos sem máquina alguma, ou Ronaldo Guerra, que é talvez o único secretário da cota pessoal e de confiança de João... Espécies de João Goncalves de 2008.

Da parte do grupo cartaxista; não sei se há fôlego de gestão nos próximos meses que possa elevar Diego Tavares da SEDES, à condição de protagonista. Pré-candidato que em si é boa matéria prima, mas herda uma gestão em baixa. Sem presença nos grandes debates nacionais. Apostam todas as fichas na esperança de bem gerirem o propalado empréstimo de cem milhões de dólares do BID, fazer o que? Aguardar então. Outra opção cartaxista seria lançar Manuel Junior e assim ganhar em postura e firmeza de discurso, além de um nome com capilaridade na cidade. Num último caminho, tão difícil de ser escolhido pelos irmãos gêmeos quanto o de Manuel, levando em conta a dificuldade dos Cartaxos em se desligarem de si mesmos, só sobraria como plano emergencial, e com boas perspectivas, o carismático deputado Eduardo Carneiro. O único parlamentar estadual que o prefeito possui na sua autodenominada liderança da oposição. Eduardo é leve, impõe medo à RC e ao PSB, pois na cozinha destes já viu de tudo. Penso que ele como última tentativa de Cartaxo tem mais densidade eleitoral que a primeira, e, ainda tem a vantagem de ser do partido do vice-presidente da república, num momento que João Pessoa deu vitória e acredita na chapa Bolsonaro-Mourão.

O principal problema do prefeito é que não se lidera a oposição por decreto. Isso se pode fazer moralizando a simples Zona Azul, por exemplo (um absurdo o que houve de graciosidade neste primitivo sistema de gestão no primeiro governo Cartaxo). A condição de líder da oposição Cartaxo perdeu na espetacular, pusilânime e tétrica carta renúncia intempestiva de março de 2018. Nela todo mundo era traidor, e até a aliança com os girassóis era possível. Desse episódio para cá, o trem do político Cartaxo só vem perdendo força e vagões...

Todos os nomes que falei acima, dos possíveis planos do estado, assim como o titular e suplentes do esquema municipal, todos sem exceção, dependem do Efeito Moro ou do Efeito Cabral, ao menos de um deles em pleno vapor. Não dependem somente de si para terem chance sequer de serem candidatos. Bem verdade que tudo leva por demais a crer que ambos os efeitos estejam já na água fervente, prestes a ebulir e transbordar muitas mudanças. Talvez até na composição da câmara municipal. Tudo ficou mais iminente quando na prisão do sobrinho do doador de 300 mil R$ a campanha de RC, ainda em 2010, um ano antes da entrada da Cruz Vermelha – RS no estado e logo após a outra OS agregada no Calvário do GAECO-RJ , a APECEP do hospital de Mamanguape e de Santa Rita...

No entanto, como a exceção da regra na política pessoense, só se vislumbra no momento um único nome prefeitável que é independente das circunstancias destes dois efeitos. Trata-se do deputado mais bem votado em nossa capital, o forte delegado Walber Virgulino, que tirou mais de 30 mil votos sem ter um real na campanha. Mal tinha adesivo para os muitos que queriam espontaneamente o botar no carro. Bem diferente da forma como se bota adesivo do Hervázio Bezerra por exemplo, ou de deputadas que ironicamente agora carregam uma grande e pesada Cruz. Walber já nas pesquisas atuais que circulam, sempre tá na linha de frente. Em segundo quando consta o nome do ex-governador totalmente dependente do não funcionamento dos dois efeitos, ou primeiro absoluto quando sem este. E por outro lado, não acho que o plano petista/pessebista de colocar emergencialmente Lindemberg no páreo, tenha força moral para desfazer o estrago eleitoral que as verdades tendem a trazer. Logo, Walber se constitui numa força natural que depende muito mais de si do que do contexto. E tende a ter decisivo apoio do governo federal. Anotem essa boa notícia que a qualidade do seu mandato de deputado deve estabelecer... Aliás, tem a obrigação de assim proceder. A condição de Walber é uma daquelas raras e oportunas encomendas da democracia que não tem como ele se tornar um político profissional, tipo as ex-prefeitavéis Estela e Cida Ramos. Walber teve voto de graça, numa expectativa de mudança real, seu eleitor o torna refém das mais altas exigências éticas e resolutivas. Querem muito mais do que o status quo da deputança dá à sociedade hoje. Ele já é parlamentar tendo que pensar e provar o executivo que é; ou será...

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