• Renato Martins

EXCLUSIVO: PACIENTE DA FREI DAMIÃO REVELA O DRAMA DE SEUS 45 DIAS INTERNADA.

Atualizado: 3 de Jul de 2018

A paciente recém-mamãe, em Abril, Rafaela Cartaxo, foi viver o seu momento que deveria ser o mais feliz de sua vida na maternidade Frei Damião, administrada pelo Governo do Estado. Lá contraiu infecção hospitalar e viveu 45 dias de extremas dificuldades devidamente registradas em fotos, vídeos e denunciadas ao 136 que é o Disk Denúncia do SUS e ao Ministério Público Estadual conforme comprova o processo 889/2018 com foto abaixo. Trata-se de precariedades que vão desde o alimento sem valor nutricional, aos equipamentos hospitalares, o acondicionamento errado do lixo, das roupas sujas dos enfermeiros e lençóis dos bebês, insetos no ambiente, banheiros unissex sem portas para uso coletivo de 16 pessoas por enfermaria (mães e homens acompanhantes desconhecidos no mesmo espaço íntimo), ferindo o básico dos princípios da cidadania e dignidade humana como fala a Rafaela.

Como diz o slogan de nosso Blog, aqui a coragem está a serviço da cidadania. Nosso espaço cede a voz a própria vítima Rafaela Cartaxo Benjamin. Abaixo segue sua carta, algumas fotos e vídeos que ela de forma indignada fez na busca de melhoria para as mães futuras que busquem aquele espaço público que exige boa gestão de fato e menos propaganda e discurso inútil.




Caro Renato Martins


O assunto que eu trato é bem maior e mais profundo do que uma enfermaria deficitária, como disse uma das enfermeiras coordenadora do setor enfermaria, seu nome: "Andréa" disse isso de forma autoritária e intimidadora como se eu não tivesse direito a reivindicação, em minha internação de 45 dias por irresponsabilidade médica e diagnósticos equivocados me mantiveram numa cela a qual lá na maternidade chamam de enfermaria. Um lugar absurdamente quente, sem ventilação de nenhuma espécie com banheiros de procedência comprometida impestados de baratas e perigosa devido aos estilhaços do madeiramento apodrecido e estragado em forras e portas, quando se há, porque, as enfermarias 3 e 5 são conectadas e além de disporem de um único chuveiro para 8 pacientes como também 8 acompanhantes, totalizando 16 pessoas incluindo homens, não há porta, no entanto, para exercer a lei que libera os pais do pré ao pós parto no acompanhamento do seu cônjuge, porém pra lei ser exercida os órgãos de saúde precisam viabilizar isso, não é simplesmente jogarem todos num mesmo ambiente dispondo de apenas um banheiro sem porta, como se tivéssemos feito nossas crianças nas ruas, como as cadelas, na frente de um e de outro. Este termo foi usado por uma das usuárias daquele lugar e ela estava certa, onde fica a integridade do ser humano? O que somos para o governo? O que somos para secretária de saúde? Pelo que aprendi naqueles 45 dias, foi que não passamos de lixo, e a sensação que eu tinha era de está pagando cadeia. Os primeiros 6 dias estive num momento chamado de branco segundo a psicologia, me internaram e ao invés de procurarem um tratamento para mim, de investigarem o que eu tinha, me administraram os mesmos medicamentos que uma das médicas dessa maternidade do Estado a Frei Damião, já havia me receitado e que eu já havia feito o uso em casa enquanto acreditava que essa Juliana sabia do que estava fazendo, porém após estar ali 20 dias essa mesma médica por um acaso vai passar a visita e me diz que eles generalizam os atendimentos, os procedimentos, os casos não são tratados um a um como deveria ser visto que cada caso é um caso, eles poupam exames para não poupar pacientes, eles pedem para pacientes comprarem medicações para não sacarem da receita da maternidade e por aí vai, meu tratamento adequado só foi iniciado porque descobriram quem eu era e após as denuncias terem sido feitas, denúncias essas que incluíam a alimentação, que se resumia a cuscuz seco dia e noite ou papa sem leite, bolachas secas com suco nos intervalos e no almoço arroz e feijão totalmente desprovidos de tudo com uma cocha de frango boiando na água, continuo dizendo que após esse branco, lembrei que fui a candidata vestida de heroína para mostrar aos “deuses do poder” que há pessoas de coragem, para eles temerem um pouco pessoas como eu que entendem a verdade, me vesti de mulher maravilha para chamar a atenção deles e não do povo, não era simplesmente para chamar a atenção do povo ou ganhar o terceiro lugar dos candidatos folclóricos segundo Souto Maior, mas para que onde soubessem que eu estivesse e se não estivesse nos parâmetros da legalidade, eles tivessem a certeza de que eu faria justiça. Naquele momento percebi que não era uma missão pra Rafaela Cartaxo, mas para Rafaela Maravilha, aquela mesma que teve cerca de 150 votos nas eleições 2016 mas sem pagar um centavo por nenhum desses votos. Então bati fotos de tudo, documentei com filmagens e tentei formalizar a denuncia ao MP e lá minha representante foi orientada a procurar a defensoria pública, porque o MP só estava pegando "causas coletivas", como pode isso proceder? Será que é mais uma das ordens do "ReiCardo"? Eu me senti desolada e sozinha, busquei a mídia e foram omissos, busquei o MP e mesmo depois da insistência da minha representante eles terem registrado a denuncia, nunca recebemos nenhuma resposta.

Tenho diversos vídeos que mostram e comprova a situação do puerpério naquele lugar, o Emerson Machado até divulgou em seu Instagram um desses vídeos, após ordem não sei de quem, porque, o mesmo mentiu quando publicou dizendo: esta senhora acaba de me enviar o vídeo que eu mesma enviei 15 dias antes, enfim para minha surpresa teve mais de 50 mil visualizações e uns 500 comentários. A estrutura da enfermaria, sem tomadas, sem ventiladores, a falta de tomadas obriga os usuários para disponibilizar além do ventilador também uma extensão, extensão essa que me provocou um choque devido a própria movimentação dos berços por cima desses fios que atravessavam as enfermarias, extensão essa que provocou o choque do maqueiro Luciano que até parada teve após passar com a maca por cima de uma extensão dessas, o choque foi sentido também por uma técnica e uma enfermeira que tocaram na vítima, mas, graças a Deus conseguiu pedir socorro antes de cair no chão, isso sem falar na água quente de péssimo sabor que nenhum funcionário se atreve a beber por ter esse conhecimento, era só o que nos faltava, estar num lugar sem nada com uma água imbebível sem poder reclamar, porque nos engolem dizendo que a saúde é deficitária no Brasil todo, mas foi só ligar 136 que tentaram organizar a casa, porque será? Sofri maus tratos tanto da área clínica como da enfermagem por me impor, por saber dos meus direitos e cobra-los de forma justa enfrentando meus e seus algozes leitoras e leitores, porém ao não receber respostas nem por parte da ouvidoria do Estado nem do ministério público, tive realmente que ligar para o 136 e relatar toda estrutura perigosa daquele local, que para nossa alegria já está sendo colocadas as tomadas nas enfermarias, porém é bom que também tenham trocado o disjuntor porque já não dava conta da carga anterior, pois, havia apagões e se buscar no livro da enfermagem vão ver que até isolada ficaram metade das tomadas por curto devido a sobrecarga. Estou aqui no intuito de expor meu caso à opinião pública, porque quero ser entrevistada, quero um advogado para agir em minha defesa, pois meu corpo inclusive minha alma se encontram mutilados por causa de um parto e um puerpério que se transformou em sacrilégio na maternidade do Estado, Frei Damião.


Atenciosamente,

Rafaela Maravilha



Segundo relata a paciente não costuraram bem a região subcutânea e depois de horas que tinha saído da cirurgia, ficou no corredor esperando vaga as enfermeiras perceberam que estava sangrando, sem perceber levaram para outra sala, sem higienização abriram novamente a cirurgia e costuraram tudo novamente.



Vejam os vídeos que foram gravados pela paciente no Hospital Frei Damião enquanto estava internada que relata os episódios causados a ela junto a negligencia do hospital no que se trata de higiene e outros assuntos:






Processo MP 889/2018 - Assunto: Direito Administrativo e outras matérias de direito público.





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