• Renato Martins

Há psicopatas na política paraibana? Onde estão as evidências?

Atualizado: 9 de Dez de 2019


Responder essa pergunta é a nossa meta hoje. O faremos em um dos meus textos mais nutritivos. Sigamos a viagem. Feche os olhos e pense quantas pessoas você tem no seu entorno, bem pertinho. Se chegou a 100, os especialistas acreditam que de 1 a 4% da população tenha um dos graus da psicopatia. Logo, provavelmente, de cada 100 amigos, seguramente uns 2 tendem a ser psicopatas. Eles existem em três graus: um mais leve; outro moderado e o último mais acentuado. Popularmente o dividimos em sociopatas e psicopatas. Na verdade, ambos sofrem de psicopatia completa e tem em comum o fato de não terem culpa, não sentirem emoções nas relações com o próximo, sem afetos com a sociedade.


A divisão de graus serve apenas para separar os assassinos e violentos dos que ainda não o são. Reconhecendo portanto que nem todos matam ao longo da vida. A maioria deles nem de fato se tornam assassino, mas muito nocivos sempre o são. É consenso que em seu sistema nervoso central eles não tem a capacidade de sentirem empatia, de terem satisfação seguindo as regras sociais, de se por no lugar do outro. Eles são movidos por recompensa individual e rápida. Essa subjetividade atrofiada os levam a não poderem ter pena, remorso e todo o stress que os humanos solidários tem de carga por terem essas faculdades emotivas não danificadas.


Fica assim explicado as "vantagens" competitivas que a deficiência dos psicopatas os dota para algumas funções da sociedade. Muito embora, nada compense o desconforto geral que são para a vida das pessoas. Fora o perigo real propriamente percebido nas pesquisas comportamentais.


O psicopata é muito racional, mas não sabe exatamente medir o que é o mal. Ao menos não se reconhece assim. Decorrência disso, seus prazeres egoicos não reconhecem regras sociais nem limites postos pelo sofrer do outro, do próximo. Pois o próximo é algo distante, imperceptível para ele. Um individualismo extremado e a sensação de que tudo só existe para ele próprio se satisfazer, o torna uma espécie inserida numa racionalidade instrumental voltada para artimanhas que lhes tragam as vantagens que seu egocentrismo lhe pede a todo instante. Psicopatas não tem cura, logo, não podem ser considerados doentes. A mente e o universo psíquico deles não pode transladar para o nível do nosso. Ainda não existe cirurgia de transplante de alma. É unânime, se você identificar um psicopata, afaste-se!


No entanto, veremos que se afastar de psicopata não é fácil. Como não tem remorsos nem culpa, nem dilemas, nem ansiedade, dificilmente um detector de mentiras os reconhece, quanto mais a gente, tão cheios de necessidades de ilusão procurando por respostas difíceis de forma fácil. Psicopatas são bons em trazer essas respostas. Mentem tranquilos, cobram tranquilos, usurpam tranquilos, tramam tranquilos, e, gozam com isso. Alguns, insaciáveis e mais graves, se tornam assassinos, serial Killers em alguns casos, mas a maioria, segue sendo sociopata mesmo. Ambos fazem muito mal aos "seus" e a sociedade.


Eles tiveram várias nomenclaturas ao longo da história: loucura moral na idade média, criminosos natos na moderna, e, hoje em dia, psicopatas. Em geral são inteligentes – por isso o “nato” adjetivando o termo criminosos. Do tipo de inteligência necessária para atrair atenção, mentem e confabulam extremamente bem. Reconhecem de forma inigualável as fraquezas de uma comunidade. Entrando na ciência política, a parte da sociedade com psicologia mais tendente ao masoquismo cede fácil para a liderança destes, de certa forma as deseja até. Passo seguinte, estes se somam aos que pensam que ele levará ao paraíso prometido, os que precisam ser enganados por fábulas personalistas, e assim, rapidamente muitos dos psicopatas ascendem a postos chaves da sociedade com amplo apelo popular. De degrau em degrau, mais perfis psíquicos da sociedade vão se conformando em torno do psicopata, gerando uma espiral de silêncio em seu entorno. O entronizando em alguns episódios da história de um povo. casos assim terminam por gerar uma camada protetora rodeando o psicopata. Camada que se baseia na fantasia de cada um que vai paulatinamente aderindo a este eloquente tipo humano.


E se engana quem pensa que psicopatas gostam de ser policial ou ladrão - traficante impiedoso ou soldado justiceiro - sanguinário. Nada disso. Eles também estão aí nessas posições bélicas. Mas, com o advento da democracia, o refúgio predileto dos psicopatas são as religiões e a política. Mesmo os psicopatas embrenhados em empresas, suas “competências” o impedem de grandes sensações de prazer num ambiente de baixa capacidade de domínio pleno. A dominação que eles precisam ter, não combinam com a competição de mercado quando no nível ideal de liberdade. Eles precisam de monopólio de atenção. Cenário ideal em nosso tempo, para eles, quem oferece são as instituições políticas e as religiosas...


Como dito antes; um psicopata é forte por ser impiedoso; é ousado por não ter medo; é inteligente e capaz, por precisar ser esperto para enganar os outros. Sabemos que os maldosos ingênuos não enganam por muito tempo. Então, mesmo que você seja uma pessoa com poucos amigos e parentes, e não tenha um psicopata ao lado, digo que na era digital é impossível não estar sob a ação direta de um poderoso que tem essa condição clínica irrecuperável.


Com essas considerações, ignorando o segmento de líderes religiosos que dizem trazer recados de Deus, e em vez de cobrar sua alma em troca, terminam por levar mesmo é sua geladeira e outros objetos suados seus, passemos a refletir unicamente sobre a política. O prazer de enganar do psicopata é inclusive maior do que o de ter riqueza material. embora não sejam desejos excludentes. Sua “doença moral” quer mais que dinheiro, quer alimentar sua fantasia de poder sobre a mente dos outros. Repito: eles não sabem o que é ser bom ou mal, eles querem ter um prazer que para eles só é possível num cenário de enganação do maior número possível de pessoas. Essa crença nele pelos outros, dá a eles a sensação de poder e prazer que procuram.


Em seus trajetos é comum virarem megalomaníacos. Desconsiderarem a lei é normal para os objetivos deles, humilharem e trapacear os adversários também. Usurparem recursos públicos para virarem estátuas, dizendo que tudo realizado pelos impostos era deles. Comum também é quererem fazer alpinismo social para sentarem com os da parte de cima da pirâmide, que jamais conseguiriam pelo caminho natural do trabalho e sacrifício. Quando conseguem assumem gostos excêntricos, como comidas e bebidas raras, que ele as tem apenas como troféu, pois paladar "sofisticado" mesmo, nem tem para isso. Afinal, paladar é mero costume e na vida destes, essas comidas não existiam até conquistarem os incautos necessários ao seu sucesso. Invariavelmente não valorizam as pessoas que eles vão conquistando e usando ao longo do caminho. Sua lógica utilitária não o permite dividir nada com ninguém. Nem sequer um ilusório poder imaginário. Um título de marketing qualquer, algo somente virtual, se dividido, para ele é doloroso demais. Quem ousa se sentir próximo a ele, questioná-lo ou se igualar, tem que ser eliminado em sua mente deficiente.


Na trajetória tudo que é sujeira dele é empurrado para o tapete ou para a vala. Ao preço que for. Ao contrário, tudo que lhe exalta é fabricado numa engenharia social perversa que, como toda mentira, tem algum tempo de validade. Quando esse tempo expira, por vezes querem usar a força para manterem a auto-ilusão de poder. O destino de muitos a história registra nos seus finais tétricos: Stalin teve suas estátuas derrubadas pelo povo; Mussolini arrastado em público; Hitler, diante de uma realidade insuportável, preferiu se auto-destruir, o mesmo ocorreu com muitos imperadores e pretensos reis. De assassinados a enxotados. Tem os que foram presos também. O delírio coletivo gerado pelo líder insensível se acaba e o encanto se desfaz trazendo uma ressaca moral profunda na sociedade que embarcou nessas aventuras do psicopata no comando do barco.


O psicopata ao trocar emoções por traquinagens para se sentir realizado (feliz ele nunca o é), vai se emaranhando cada vez mais na sua própria rede de mentiras e tendo defecções que vão o solapando. Como por exemplo, os ex-fiéis da “religião” da Cientologia nos EUA, que vão voluntariamente enfrentando membros estrelas de Hollywood propiciando o abrir dos olhos daqueles que poderiam cair na teia da magia pseudo-redentora. Resultado: a cientologia reduziu seu número de fiéis nos últimos dez anos, notadamente pela ação de seus ex-membros.


O psicopata, frio que é, não se perde em tristezas, angústias, transtornos de ansiedade ou depressão. Eles se renovam a cada dia dobrando a aposta. Criando mais fantasias para si e para os que teimam segui-lo. Aos que ainda o seguem, um anuncio-aviso científico, mesmo quando eles tão de guarda baixa e acuados, eles não se associam com ninguém. São chefões por excelência e só os interessa a manutenção da engrenagem da organização delituosa que eles montaram, funcionando no melhor ritmo. O colapso dessa organização vai ser desmentido por eles até o fim. Até o dia que eles soltam o famoso sorriso do psicopata (conhecido pelos analistas como a fraqueza confessional deles) e assim podem se reconhecer um pouco como tal. Normalmente só o fazem num gesto derradeiro, onde o sorriso soa como deboche e certa indiferença ao ato de todos estarem apontando o dedo para eles junto com a soma de suas mentiras. O sorriso do psicopata é um ato de ataque, para quando se vê sem saída, transmitindo sempre algo do tipo: “se vocês, só agora tem a certeza das minhas mentiras e maldades, e estão a me julgar e me chamarem de criminoso, infernal e tirano, o que eu posso dizer de vocês que acreditaram em minhas tolices?”. Ou seja, até o fim da vida eles terão alguma recompensa imaginária de vitória e superioridade. Isto ninguém os toma deles; nem cadeia nem o dia da morte.


A única saída individual para alguém que está sob o efeito de um psicopata; é se afastar do psicopata. Não há outra hipótese. Ele não tem parente, amigo nem nenhum tipo de vinculação que se possa chamar de especial.


A única saída para uma sociedade acometida e suscetível a institucionalização posta por um psicopata? A única saída é ter instituições resistentes e com sistema de freios e contrapesos, de forma que não se dobrem umas a outras e, principalmente, a psicopatas de ocasião. Por isso a ideia de república venceu a de monarquia absolutista, visto que estatisticamente uma família real (como qualquer outra), sempre tenderá a ter um herdeiro psicopata ao estilo Nero em algum canto do tempo. Necessitamos de instituições que não se corrompam aos benefícios que o personalista psicopata distribui. Quando estas instituições não fazem isso, a sociedade a fará, e assim fatalmente entrará em crise, pois o destino de um psicopata é sempre a insatisfação e o colapso. Quanto mais influência ele tem sobre uma sociedade, mais ela estará sujeita ao seu destino também.


Num momento onde os extremos da política estão na moda, é necessário os descontaminados ou os já experientes nisso, não permitirem que psicopatas se dizendo ideólogos, seja de que lado for, tornem seus excessos fantasiosos em algo introjectado na nossa moral. Formem o nosso senso comum. Isso ocorrendo, pode custar ainda mais caro que o prejuízo de um “profeta dissimulado” num rótulo de igreja numa esquina qualquer do Gervásio Maia. Essa tarefa social hercúlea, de combate aos psicopatas, meus leitores, é sempre uma tarefa de uma pessoa comum. Os "extraordinários", neste caso, podem sempre fazer mais mal do que trazer cura. Nessa época de revelações na política paraibana, nos voltemos para as pessoas comuns, para os “líderes” dos bons e rotineiros gestos comuns, que por vezes teimamos não ver o seu mérito na justa medida.


Penso, hoje muito mais preparado pelos livros certos do mestrado recém-concluído e pela vida, que talvez o espetacular, o sustentável, e a qualidade de vida que queremos, seja melhor conquistada quando a tarefa é coletiva, processual, serena e sem heróis de barro ou de sangue. Basta, para o bem acontecer, apenas de um coordenador temporal, que se reconheça como uma pessoa comum mesmo. Conduta ilibida, boa fé, alteridade, solidariedade, saber reunir os talentos certos, meritocracia no coração para com os outros e não para consigo. Vaidade de servir apenas. Vocação para ser o mais comum dos comuns. Este pode nos auxiliar para seguirmos bem, e não nos substituir numa maluquice sabotadora qualquer.


A verdade sempre tá nas coisas simples. Hoje, inclusive a ciência com sua navalha reconhece isso. O comum exige muita virtude. Ser comum numa sociedade tão afetada por psicopatas é ser especial. É ser um super-amigo membro da legião dos mais fortes e necessários humanos...


Desse modo, saúdo os comuns, que diferentemente dos psicopatas, não querem mentir camuflando projetos pseudo-coletivistas para regozijo próprio descambando para desvio de medicamentos e livros essenciais para o desenvolver do próximo. Justamente por serem comuns, e não verem problemas nisso, querem apenas somar para uma sociedade próspera que permita a si mesmo e seus descendentes, também terem o direito de prosperarem numa linha reta e segura, sem curvas acentuadas que escondem quedas perigosas.


Dá o que pensar:


Psicopatas na infância são insociáveis, manipuladores e machucam animais sem remorsos. Os adultos não tem emoção. Não sentem falta de ninguém. Não choram, encenam por algum objetivo sórdido. Ter uma ou outra dessas características citadas no texto, se com o remorso, já impede o diagnóstico de psicopatia. Se você estiver pensativo e assustado por ter visto alguma das características do psicopata em si mesmo, saiba que só por se sentir mal e pensativo isso já o tira da lista da psicopatia. Um não psicopata tem medo de o ser - um psicopata não.


Ah! Se existe um psicopata na alta cúpula política paraibana?


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