• Renato Martins

MUITO ALÉM DO CARNAVAL: UM SOBREVOO COMIGO.

Atualizado: 2 de Abr de 2019



Passado o carnaval, voltemos o olhar para algumas questões imediatas que circundam a conjuntura de nossa sociedade. Eis os pontos:


1- O corregedor nacional de justiça, o ministro Humberto Martins, acatou denúncia do empresário Rodolfo Pinheiro, contra a atuação do Juiz Aluísio Bezerra em ações envolvendo a DESK Móveis, empresa suspeita de desvio de recursos com expedientes que podem envolver fraudes licitatórias e até mesmo falsificações de provas, como documentos forjados com assinaturas falsas, como alega o MP em relação a Gilberto Carneiro, em denúncia do ano passado em vias de julgamento no TJ. O bravo e admirável Rodolfo, que por vezes já citei aqui no blog, se vale do áudio recentemente publicizado, entre um empresário (estranhamente ainda não revelado pelo governo do estado) e agentes públicos de alta patente, investigado pelo GAECO e agora a PF, no qual o procurador Gilberto Carneiro cita o nome do magistrado acima, em conversa heterodoxa com o então secretário de saúde, na época, Waldson Souza. Pelo que se tira da conversa vazada, ela fala das ações judiciais, e estratégias procrastinadoras da parte do então secretário, em relação a tratamentos emergenciais para com vidas humanas, que recorrem ao TJ num último fio de esperança, por vezes, ironicamente, após terem visto essas OSs da vida os dando não! Nas portas do milionários hospitais públicos. Acentuo o termo 'vidas humanas', pois estas também merecem apoio de tod@s; tanto das ONGs em geral, das de diversidade de gênero por exemplo, com seus deputad@s de tantos cartazes em lojas, como as de defesa da causa animal (que fiz muitas leis por sinal). Afinal, somos o quê? Entendem o porquê da ênfase. Pois se fosse um aúdio de um insensível zé mané qualquer, seria um "torturador selvagem" de animais ou um "machista desumano", um sem patente risível, maltratando um gatinho indefeso, ou chamando alguém de desviado numa conversa de botequim, seria algo viral não é... Caso de polícia; e de forma justa inclusive. Se fosse adversário do estamento estadual então... Linchamento seria pouco. No entanto não o é. NÃO SE TRATA DE UM INIMIGO, NO DIZER DE GILBERTO CARNEIRO.


2- Algo mais sério e profundo ocorre em nosso corpo social. Tempos estranhos esse que vivemos. Porém, de forma otimista, vejo em ações que buscam esclarecimentos, como a desse ministro do CNJ, Martins, indícios de de que a blindagem institucional pró-impunidade, de todo lado, parece também estar com os dias contados. Afinal, esclarecer é pre-requisito do fazer justiça. E só se esclarece o que investigado o é. E a sociedade independente é decisiva nisso. Dou um exemplo que prova meu otimismo: Uma ONG ou grupo de pessoas que prezam o combate a corrupção entraram(rão) com um ofício tipo LAI- Lei de Acesso a Informação, pedindo aos secretários Gilberto e Waldson, que digam à sociedade, de forma clara, o nome do empresário na conversa e quanto ele possivelmente faturou para o estado, se de forma direta ou via OS, e se por OS, por qual delas? Claro que o ofício parece também tentar saber de que forma jurídica e por quanto tempo o mesmo possivelmente esteve atuando.



3- A corrupção parece ser algo a ser premiado pelo estamento superior nessa lógica silente. A ética do crime organizado na política ganha a forma de uma infame lei moral do seguinte tipo: roube, roube muito mais ainda, se descoberto for a gente em cima te protege, se não for pego, você virará político como prêmio. Subindo de nível neste tipo de ranqueamento desvirtuado, o discursos pseudo-igualitário socialista, estava tomando de câncer nosso país. Que está sendo descontaminado dia a dia. Espero o mesmo em nosso estado; precisamos demais. Sair disso é tarefa individual e coletiva, eu fiz minha parte e sei quanto isso requer esforço sobretudo intelectual. Pois essa prática política tem forte dosagem cultural, ela começa assassinando o empreendedorismo de toda a nação, e a condena a pobreza material e espiritual. Um populismo esquerdista infantil de heróis do tipo "rouba mas faz", toma conta da agenda mental da sociedade, e que só beneficia uns poucos e lasca todo o resto com migalhas de crédito que sempre viram rombos de dívidas impagáveis. Desacompanhadas de tecnologia e do finado empreendedorismo gerador de riqueza verdadeira, pois politicagem não gera riqueza para ser dividida, o resultado é sempre deficit, seja nos serviços e nas contas públicas, seja nas contas pessoais dos trabalhadores honestos em geral. Enquanto isso, eles se refestelam no caviar sociológico dos privilégios ocultos que criam para si próprios.


4- Por último: Leandro Nunes deve ter falado sim, e falado tudo mesmo. De todo o mecanismo, sem poupar ninguém. Da cadeia operandi inteira. Muitos indícios levam a isso. Percentuais significativos de nomes fortes do estamento político partidário e administrativo de caneta forte do estado, podem se ver em curto espaço de tempo, desnudados. Ainda mais. Serão muitas mudanças em vários poderes, e de diferentes formas. A justiça desta vez não se calará nem será calada.

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