• Renato Martins

O MAL NÃO PODE SE DÁ BEM SEM VOCÊ. O EFEITO KITTY GENOVESE.




Em 1964, em Nova York, uma jovem mulher chamada Kitty Genovese foi estuprada e morta. E o que quero eu a falar disso... Afinal, aqui temos 250 mil desaparecimentos por ano. 40 mil só de crianças. Mas creiam amigos, esta história até hoje é estudada pela psicologia. Vejam, a vítima gritou, tentou fugir numa rua movimentada com muitas lojas, algumas abertas, e se escondeu na entrada de um prédio de classe alta de dez andares. Sim meus leitores. Muita gente viu tudo. O homem solitário nem revólver tinha. As facadas, os gemidos, a intimidade violada, e os últimos suspiros da bela mulher sem nenhuma passagem pela polícia, ao contrário até. O assassino parecia sentir prazer em ver ao menos 38 pessoas assistindo a tudo isso inertes de suas janelas. Sabem quantos fizeram alguma coisa? Nenhum. Zero pessoas sequer chamaram a polícia. Assistiram, se horrorizaram, e depois foram jantar, dormir, seguir suas vidas. Mas como pôde isso acontecer?

Vamos então as explicações galera. A psiquiatria chamou isso de 'efeito Kitty': quando tanta gente fica a ver um drama que choca, e parece alimentar o prazer tétrico do tipo "essa tá pior que eu"; além do efeito de jogar a responsabilidade para o outro - mas pô, claro que o vizinho já deve ter chamado a policia. ou então; - o vizinho não vai lá porque seria eu a ir... Ou pior, se ela tá alí e ninguém vai, será que ela não merece passar por isso? No meio de tanta explicações deste tipo que a polícia colheu em 38 depoimentos. Fico a pensar sozinho. Pois sempre fica somente isso para nós. Ele - o ser humano e sua reflexão.

Penso por analogia, que tem os que deixam o político roubar os medicamentos porquê sabe que pode precisar de um empreguinho um dia. O que se cala porque tem medo que os poderosos se afetem com sua existência. Os que aceitam uma escola improvisada só porque é para filho de pobre e acham que isso já é ter "muito". Estes temem a desonra de não terem os sorrisos dos tais poderosos para se sentirem importantes por tarem perto dos ladrões famosos. Enfim... Cada um de nós já assistiu uma kitty Genovese em alguma situação. Num Trauma ou num Trauminha da vida. Tá na hora de mudar isso. E mudar isso não é esperar pelo vizinho não. Farei minha parte. Farei a minha parte, meu vizinho faça ou não a dele. Não me importa mais isso.


Dá o que pensar:

Estou terminando minha dissertação do mestrado. Orgulho demais de propor um modelo inovador de Gestão Pública. Uma tecnologia nova. Mas, algo mais ao meu estilo militante e poeta, me tomou. Eis que tomei coragem, me isolei e em paralelo escrevi um livro. Tenho certeza que terão motivos demais para continuarem a me ler. Agora é buscar patrocínio para rodar. Editar bem. É um tratado sobre a vida sem trato. Uma aventura poema. Uma surpresa inimaginável... Dará certo como deu meu blog, e ainda dará o canal de Vlog após o mestrado. Afinal não morri de bala dourada nem de gases laranjas. Meus amigos fieis não deixarão.

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