• Renato Martins

O MISTÉRIO DA GRATIDÃO CONVENIENTE E O VITIMISMO QUE ESQUECE QUEM DE FATO FOI ROUBADO.


A gratidão na política, ou cobranças disso, é herança de uma cultura retrógrada e estatista do tipo patrimonialista. Exemplifico: política não é profissão, poder não é recompensa. Tudo isso aí trata de sacerdócio e dever. Nem mais nem menos que isso. Quando o poder é algo pessoal, privativo, que se pode doar ou dividir a bel prazer, mesmo vindo pela via das eleições, temos que tomar isso como um câncer. Algo nocivo à saúde da cidadania; da república; da democracia; da coesão social onde todos somos livres, inclusive de abusos do estado e de autoridades. Não estamos na monarquia ou no tempo dos faraós.


Um ex-governador falar que elegeu inúmeros deputados e etc... É o mesmo que dizer que era o donos dos recursos públicos, dos empregos de CPF, do direcionamento de projetos sociais. É agir como se fosse dono de recursos públicos. E ser dono de coisas públicas tem outro nome: é desvio de utilidade, no mínimo.


O político que se auto-intitulava republicano para colocar o interesse coletivo acima de alianças eleitoreiras circunstanciais, mesmo que feitas com juras de amor públicas, foi o ex-governador RC. Ele se juntou com Manuel e Maranhão em 2004 e 2008, depois os dispensou, em nome do interesse público e se alinhou com o PSDB de Cássio. Em 2014 inverteu de novo com o acréscimo do PT que, por sua vez, tinha sido adversário em 2012 pela PMJP. Uma orgia política sempre justificada pelo interesse público. E neste ponto eu não vejo motivos para não dar razão aos argumentos do atual presidente estadual do PSB, Ricardo Coutinho. Que agora quer falar em gratidão conveniente ao contrário da gratidão subordinada ao interesse público.


Dito isto, lembro que o proprietário dos recursos públicos é a população trabalhadora contribuinte. E mais, a concessora do poder é o cidadão enquanto eleitor. E o gestor eleito é um político de ocasião que em tese deve se despir de seu ego por um tempo, o do mandato, para assim se dedicar com o seu melhor empenho e sabedoria em prol da evolução em quantidade e qualidade dos serviços públicos. Sem roubar; sem iludir com propagandas personalistas; sem aparelhar e cegar instituições. Isso é democracia funcional.


Só um pensamento elitista vesgo, que abre precedente para tratar o patrimônio público como privado, e pior, presente de um político. Que se permite ver uma ética da transferência de poder, como se pudesse julgar como certo ou errado quem dá (acima do povo?) e quem o recebe, numa relação privada de dívida, como uma negociata entre "amigos" então... Absurdo essa narrativa agora dos que se aliaram a todo mundo com discursos bem diferentes - e, repito, acertado inclusive.

O eleito é o responsável por bem servir a coletividade. O eleito é o maior responsável por proteger os recursos públicos dos ladrões, seja da Calvário, Propinoduto e o que mais vier. O governador eleito deve somente ao povo-eleitor-contribuinte. Deve à sociedade sua maior dedicação até 2022 a serviço de um estado capaz, efetivo e operoso. Livre de supostos proprietários-estatistas enlouquecidos por poder, seja para poder se proteger, enriquecer, ou promover algo ainda pior aos serviços essenciais.

Essa história de traição no campo do debate da politicagem menor, não cabe a nenhum dos lados. Exceto quando, no uso da caneta se traí o eleitor-cidadão usuário dos recursos públicos. Tirando da saúde, educação e levando para mansões, lavagem de dinheiro sofisticada, e abusos de toda esfera; menos, melhoria dos serviços públicos no melhor preço. Logo, o lado de João deve ser claro: Justiça e bem estar da população. Nunca ser cúmplice nem acobertar quem já se lambuzou e agora quer só trocar de lado pra continuar agindo como antes..


DÁ O QUE PENSAR:


Todos os gestores que se desligam ou se unem, de políticos ou ex-políticos para melhorar o serviço público estão inocentados. Logo, o resultado que realmente importa ao morador do estado da Paraíba é se a roubalheira da ORCRIM vai parar; se a gestão vai produzir melhor e mais barato as suas funções, e por fim, se não haverá aparelhamento da república para que a mesma funcione de forma a cada instituição conter o excesso e os deslizes da outra. Sem cinismo ou mentira a base de caixas de vinho.

0 visualização