• Renato Martins

EXCLUSIVO: O QUEBRA-CABEÇAS DA ORCRIM, E O DITO GIRASSOL "RAIZ"























fonte: internet


Num cenário de gerenciamento de crise de imagem, os corruptos pegos com a mão na taça de vinho, tem duas opções importantes a fazerem: ou confessam e se comprometem com acertos (o que me parece não ser mais possível); ou, por outro lado, tentam criar uma ética própria de crime organizado e contando com a falta de memória da população objetivam vender uma visão distorcida de realidade na qual seus crimes sejam justificados ou invisibilizados. Para entender melhor as deliberações desta segunda opção e todo o desdobramento da saída de João deste partido, é que passo a narrar aqui o que reputo unir as peças do quebra-cabeças deles que ontem desformou-se definitivamente.


Peça 1: Uma ORCRIM nem sempre consegue ficar despercebida. Pode até ficar impune no Brasil. Porém, invisível e inodora não. O chorume mais explícito dessa ética de crime organizado apareceu vinda de investigadores do RJ. A Operação Calvário é hoje uma força tarefa que demonstra roubos de remédios e livros sobretudo do nosso humilde e necessitado povo paraibano. O que sustentava isso? Um discurso de realização de obras, como que um pano de fundo para justificar o uso indevido de nossos impostos. Para essa coisa toda prosperar era preciso um personalismo de propaganda cara paga pelo contribuinte. Fantasiosa e mitológica.


Essa narrativa para obscuração foi vista na crise de 2016, quando eu já tinha razão em minhas suspeitas. Ao assinar mais de 9 CPIs para investigar as coisas dessas gestões do meu partido a época, e, em vez de medalha, averiguação do que eu ouvia, e afago, eu ganhei foi a perseguição e traição. Minha postura por limpeza e lisura no partido seria o que me levaria a derrota em 2016. Que neste caso foi uma benção que ajudou a abrir meus olhos mais ainda. Mais do que quando assinei todas as 9 CPIs que citei acima. Repito, seria para investigar feitos da gestão girassol, pela câmara municipal, e preservar o "partido e o projeto" ao longo de meu mandato. Entretanto, o "projeto" ora investigado pela força tarefa, optou se livrar deste opinante idealista. Em carta aberta, Chamei esse ranking partidário deles de ética de crime organizado.


Peça 2: No entanto, o caso fica interessante mesmo é em 2018. Neste ano eleitoral, não dava mais pra botar um candidato(a) puro-sangue da escolinha dessa ética distorcida. Em 2012 e 2016 os "girassóis raiz" já armaguravam derrotas de estilo puro-sangue. O esquema hoje super-investigado foi procurar um protetor, um escudo. Afinal, perder o estado seria ficar nu a mercê das descobertas que iriam vir e eles já sentiam que o fim estava próximo. Com isto em mente chegam no curriculum de João Azevedo. O homem que fazia as obras e por isso, de certa forma, com sua operosidade, cumpria um papel importante na cortina de fumaça necessária para os desvios em outras áreas que hoje estamos a saber. O esquema, por sobrevivência, precisava de um rosto honesto e limpo - este estratagema fez João Azevedo 2018.


Só que ao chegar em 2019, este esquema queria uma caneta de governador dedicada a proteger crimes, obstruir a justiça, intimidar o MP, a PF o MPF e tudo o mais que por ventura tivesse que ser feito. A famosa expressão: "vender a alma ao diabo". João governador não se submeteu a isso. De pronto, demitia um a um os servidores do "projeto" que eram pegos. E foram muitos, de secretário de educação até procurador geral, assessores especiais gestores de contratos, seu ex-coordenador de Campanha Waldson Sousa, a delatora Livânia Farias ex super-poderosa, o de turismo também. Fato que foi uma lista grande de pessoas demitidas por ações diretamente feitas com autorização da justiça e órgãos investigadores. O coletivo está na mira e João não aceitou vender sua alma por eles. Azevedo, o acobertador involuntário, o era por suas virtudes gerenciais, continuou com elas, e afasta-se dos que o usaram, e vítimas de suas próprias tramas, tiveram que passar o cetro para quem, entre eles, não estava na ORCRIM - justamente o homem das obras. Que fina ironia.


Passo 3: A verdade é que a disputa pelo PSB estadual, com a saída de Edvaldo Rosas, pouco ou nada teve haver com o rompimento de João com essa ala "raiz" que comanda o partido. Na verdade, os implicados queriam uma coisa dele e não a tiveram. Aí o expulsaram, e agora o ameaçam. Conheço essa práxis deles. Sei o que João tá sentindo na pele. E não ficara só nisso; nas ameaças.


Provas que eles tão ameaçando João? Fácil demais, cito duas bem recentes então: a primeira na entrevista dada por RC na TV Master, onde ele fala que um dos motivos sobre João ele só vai dizer depois. Ele alegou que só vai revelar mais a frente! Por que dizer depois, e quando e em qual circunstancia? Será quando mais verdades emergirem das investigações e delações em curso? A segunda ameça está na carta aberta do PSB "raiz", nela podemos ler: "A política ama a traição mas odeia o traidor". Isso é ou não é um dilema análogo a ética de crime organizado - algo tipo ameaça. Afinal o que é ser traidor e traidor de quem? Traidor do interesse deles, os investigados, ou do interesse do povo, quer não quer ter seus remédios e livros desviados ou superfaturados. Ricardo Barbosa, deputado líder do governo, na Correio, também mandou os recados dele: "Se vier com esse jogo baixo, de vale-tudo, sairão machucados também". Ricardo Barbosa sabe o que fala. Sabe do que fala.


Os girassóis "raiz", sei lá de que, aguardo o GAECO para saber, estão despedaçados com a saída do governador. Essa que é a verdade. E não é por questão política-eleitoral, é por questões jurídicas e policialescas mesmo. Definitivamente os do lado honesto não acataram essa coisa de ninguém solta a mão de ninguém (mais uma coisa ritualística análoga a coisa ruim de gangue...). João Azevedo não quis ser menino de recado, que era o que se esperava dele pela parte implicada nas investigações, e se espantou com o que viu ao olhar para a gestão toda. Ele educadamente - como é o seu estilo - chamou o que descobriu de boicotes e sabotagens internas. O mesmo que me ocorreu quando me vi cercado pela ala "raiz" só por ter assinado 9 CPIs que inclusive, achava eu, que poderiam provar inocência mais que culpa. Mas as reações contra mim, ontem, assim como para com João, hoje, não me deixam dúvidas sobre a natureza dessa tal "raiz" do PSB local - estão cercados pela lei e pela opinião pública que odeia essas suspeitas de desvios de remédios e de livros.


Passo 4: João foi mais um tiro para a defesa deles que não deu certo. João traiu, corretamente, os interesses dessa ética esquisita do PSB Girassol e adere, agora integralmente, a ética que interessa à sociedade. Única que não merece nem pode ser traída por João.

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