• Renato Martins

QUEM É JAYME CARDOSO - O PAVOR DE RICARDO COUTINHO

Atualizado: 4 de Dez de 2019

















Jayme tomou para si a difícil tarefa de ser um ativista da era digital. Um defensor da radicalidade democrática na qual o cidadão se impõe como jornalista das causas que realmente lhe importa e busca suas respostas. E fazer isso na era digital é sim ter capacidade de responder as perguntas indigestas que muitos da grande mídia tradicional amestrada não o fazem. Especificamente aqui, na Paraíba mesmo, só o faz o radialista da Correio Nilvan Ferreira.


Num contexto assim, de tanta escassez de ousadia e descompromisso com a verdade e causas coletivas da parte de líderes políticos e informadores sociais, que tinham o dever de informar sobre os temas obscuros de bilhões de remédios e livros desviados como a Calvário vem demonstrando por exemplo, que é imperativo reconhecer no gesto altivo de Jayme Cardoso e sua colega Gorete. Um importante esforço para chamar a atenção da sociedade sobre o fato do uso de dinheiro público não poder ficar sem explicação. Sobretudo de um gestor maior que vê secretários e gestores de contrato por ele escolhidos, presos e vasculhados um a um... Como que fuçando algo maior.


O objetivo do jovem Jayme, de acordo com sua entrevista dada no Intrometidos, era perguntar: RC o senhor sabia do que faziam seu staff nos casos de corrupção da Calvário? Oportunidade boa para ele, RC, bem falante antes sobre os outros, esclarecer seu entendimento sobre o uso de hangar oficial; policial escoltando propina; tráfico de termos de referência sistemáticos revelados em no mínimo duas secretarias - educação e saúde. Isso por anos a fio ao longo de toda sua gestão, pelos seus auxiliares mais fixos e poderosos.


Entretanto, meu objetivo aqui no blog é registrar meu testemunho do espírito militante de Jayme, percebido ainda na época de minhas audiências públicas pela humanização do transporte coletivo. Nestas audiências eu cobrava por redução de impostos municipais e estaduais e ao mesmo tempo a modernização da frota com ar condicionado, mais segurança com câmeras de porta e wi-fi, sem aumentar o valor das passagens; somente pela redução de impostos (ICMS e ISS) em cerca de 10% - um ganho para empresários de 26 milhões ano, caso modernizassem sua frota. Ganho social estrutural. Falei que isso inclusive ajudaria os ônibus a enfrentarem a concorrência com Uber e alternativos. Nestas plenárias na CMJP, estava lá a voz de Jaime. No campo ideológico oposto ao meu. Num partido diferente. Porém, extremamente respeitoso, democrático, firme e propositivo.


Essa postura intrépida dele parece ocupar o espaço dos sindicatos que esqueceram os servidores públicos nestes anos. Das associações de imprensa que esqueceram seus colegas perseguidos, os movimentos feministas que esqueceram mulheres agredidas por "socialistas tomadores de vinho", amnésia seletiva de militantes "esquerdistas" de universidades que eram contra a corrupção dos políticos como Maluf, Aécio, FHC e etc... Mas aceitam acriticamente o rombo no roubo de medicamentos, livros e laboratórios que a força tarefa da Calvário vem demonstrando aqui bem pertinho de nós... Essa seletividade de ONGs e militantes de contra-cheque encontram em Jaime um opositor e também uma referência, um exemplo dessa nova militância cidadã que só precisa de coragem e criatividade - nada de goles de vinho. Touché!!! Na mosca: a sociedade agradece gestos assim.


Se RC sabia disso tudo com o dinheiro do povo? Se alguém, da grande mídia, fora Nilvan, tem coragem de peitar ele por esclarecimentos sobre as delações de seus auxiliares de primeira rodada de taças? isso, pelo que se viu ontem na frente da TV Master parece que continuará sem respostas advindas da boca dele, do ex-governador. E olhe que logo deve-se levantar o sigilo dos julgamentos que ocorrem no Rio de Janeiro. Aguardemos...


Respondendo a pergunta título: Jayme Cardoso é fruto da omissão e dissimulação dos ditos movimentos sociais contra a corrupção, que agora vemos que de sociais nada tinham... Na verdade eram estratégias tacanhas de chegada ao poder para fins no mínimo duvidosos.

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