• Renato Martins

REDE TV - PRESIDENCIÁVEIS! E SE TODOS ELES ESTIVESSEM À FRENTE DO PAÍS?

Atualizado: 11 de Mar de 2019


Foto retirada da internet

Primeiro, fugindo frontalmente do senso comum, do fácil discurso do "terror" do mundo exterior a nós, que demoniza políticos e nos isenta de auto-crítica e reflexão sobre o tudo e o todo que nos incluem. Que fazemos parte. Sou democrata e creio que a boa reflexão e o livre debate encontram o caminho para seu fluir, da eficiência, da utilidade sobre quem e o quê deve prevalecer em uma dada circunstancia, para bem resolver os problemas. Entendo o livre debate como um melhor trajeto que não se dá sem custos; tem sacrifícios, tem etapas pedagógicas tal como o criar de nossos filhos requer de nós.

O debate da REDETV foi primoroso. Candidatos falando muito e em pouco tempo. Concisos e capazes de transmitir suas forças e fraquezas. Suas expertises e seus lapsos. O Brasil que escutou, que auscultou, ouviu muitos caminhos a serem enxergados com a mente. Criticando-os, vendo o que se deve rejeitar, mas absorvendo também seus méritos, suas experiências, suas competências. Interagindo com a complexidade da conjuntura, permitam-me em homenagem a qualidade do debate e ideias apresentadas, uma visão idílica tentando pegar o melhor de cada um na formação de uma equipe de governo. Vamos lá:


1- Bolsonaro: poderia comandar bem o Ministério da Justiça. Com a atribuição de combater a corrupção e a violência, tomando para si a tarefa de melhorar a transparência da gestão e com uso de recursos de inteligência fazer a PF combater a violência endêmica no país e os ladroes de gravata. Digo isso por ser ele o único incontestavelmente honesto entre os pretendentes, mas penso que esse não foi seu melhor debate, tropeçou em Reinaldo Azevedo feio no tema economia, uma"mitada" gol contra, ruim no silêncio e titubeação à pergunta frente as câmeras. Sagaz, o mito, percebeu a situação, recuou para sua agenda moralista, terreno seguro para ele, e, com Marina Silva, fez a famosa "mitada" a seu favor. Equilibrando o placar e seu apelo a seu público grande, crescente e fiel.

2- Marina: boa de pesquisa, infelizmente, em debates não protagoniza grandes bandeiras, embora não se arrisque em promessas mirabolantes, se firma apenas como coadjuvante com brilho. Como consolo registro que ela passa serenidade. Esse equilíbrio tem sua importância. Daria boa Ministra de Minas e Energia comandando órgãos como a delicada Petrobras. Missão: Usar as velhas matrizes energéticas propiciarem as novas tecnologias de energia limpa e sustentáveis. Pior que Moreira Franco não seria.

3- Alvaro Dias: recall de bom governador do Paraná, reformador de sucesso da máquina pública, defensor de Moro no ministério da justiça, lugar já ocupado nesta fantasia por Bolsonaro. Como Ministro da Agricultura poderia ser uma tática pessoa numa estratégica posição vocacionada da nação. Missão: Retomar o protagonismo nacional no mercado de commodities agrícolas. Seria um embaixador desta causa, possivelmente tão bom, como o foi como governador.

4- Cabo Daciolo: o que menos o Brasil ouviu falar. Se destaca por sua mescla entre espiritualidade e política. Considerando que toda religião tem base moral, e que o mesmo repete que, toda religião do homem é condenável (lembrando o cuidar de órfãos e viúvas como a religiosidade verdadeira), dando a entender que o importante é ajudar a nação a ser potência mundial numero 1, com visão de solidariedade. Não vejo como não testá-lo na pasta de Desenvolvimento Social. Afinal, fé sem obra é morta. A obra dele seria o seu teste de fé...

5- Guilherme Boulos: é bom de controle de tempo na fala. O mais afoito por brigas nos debates. Muito empolgado, as vezes até infantil nisso, teatral na busca por um fato alavancador de si nas brigas com os outros. Porém, poderia ser muito bem aproveitado no Ministério da Transparência, Fiscalização e CGU com a missão de modernizar os órgãos de controle e auditorias e forçar, na briga, o bom uso dos recursos públicos. Brigar mesmo por transparência, inclusive com o presidente eleito. Sua mídia-recompensa seria fruto de sua competência nesta arte de bem fiscalizar. Daria a pasta a ele com autonomia, sem risco de demissão. Forjado nas ações de rua poderia surpreender pegando muita gente de calça curta.

6- Alckmin: foi bem diplomático, parece ser um pacificador, essa característica o Brasil precisa muito neste momento de democracia na UTI. Ganhou ponto ao propor que todo gestor público e político tivessem sempre que provar seu patrimônio, sem a proteção do princípio do ônus da prova ao acusador. Na esfera pública todos devem provar honestidade sempre que requisitados pela sociedade. Sem postergações ou barreiras da própria justiça. Pela calma e tom conciliador poderia ser um bom ministro do Planejamento para lidar com todos os segmentos do país em suas necessidades de projetos.

7- Ciro Gomes: tem como arma forte sua prodigiosa inteligência, no entanto, uma ideologia rápida como sua fala o é, depõe contra si. Seu temperamento bélico também o afeta constantemente quando sob pressão. O setor que acho que precisa de alguém assim é o da Ciência e Tecnologia. Pasta espinha dorsal para de fato desenvolvermos de verdade, sem andar em círculos de dependência. Aqui é necessário um choque de gestão bem ao estilo deste político que fez o "Canal do Trabalhador em 100 dias" no Ceará (no que pese os reparos terem durado anos) e a integração do São Francisco até os dias de hoje se arrastando, mas, não mais sob seu comando. A glória para ele, nesta hipótese, seria ajudar o país a conseguir o primeiro Nobel brasileiro em alguma coisa que não fosse só Bola de Ouro da FIFA, que só a grande 10 Marta, tem dúzias delas. Com muito mérito inclusive. Por sinal, Marta já em fim de carreira, daria boa ministra dos esportes...


8- O Presidente: problema tanto seu quanto meu. Intransferível por sinal. A escolha cabe a você na parte que lhe toca. Bom voto! Espetacular o debate da REDETV. Sugiro que vejam no youtube na íntegra, sem edições interessadas.


P.S: Este pós-escrito se dá pelo esquecimento de Henrique Meireles. O esquecimento já diz algo sobre o desempenho dele? Não. Foi erro meu mesmo. Perdão estimado leitores. Segue minha análise: ele melhorou muito do debate anterior, seu lema é - chama o Meireles - numa alusão ao fato que tanto lulistas, o próprio Lula no caso, assim como Temer, o chamaram em momentos distintos à chefiar a economia do país, e ele entende que deu conta bem do recado. Sabemos que isso é bem controverso. No entanto, o fato dos dois lados terem o chamado como grande timoneiro das politicas econômicas é inconteste, e o legitima sim no slogan escolhido. Transitou em dois "planetas" hoje tão estranhos, isso me leva a advogar que o mesmo daria bom Ministro das Relações Exteriores. Conhece bem o mercado e o sistema bancário internacional, poderia ser um bom vendedor do Brasil no bom sentido da palavra. Falo sem segundas intenções, sem ironia; Vender ao bem do país mesmo.

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