• Renato Martins

TRE, JUSTIÇA, CALVÁRIO E O TESTE DO SACUDIR DAS ÁRVORES...


Reza uma lenda real, contada por historiadores da Roma antiga, que na volta das guerras, o exército, para se livrar de soldados fracos ou inválidos, inúteis no rigor exigido da época, pediam para os sobreviventes subirem em árvores. Os que não conseguiam eram abandonados. Mas o teste não parava por aí, os soldados que subiam as árvores ainda tinham que passar no último desafio: resistir o sacudir das arvores. Os que caíram não viveram para contar a história... A execução era sumária.


Claro que a intenção institucional era medir a capacidade física e não a honestidade ou a integridade de seus membros, como hoje se espera em nosso estado. Mas em analogia, soldados romanos eram servidores públicos decisivos para a ordem econômica e social da primeira grande nação ocidental. E eram exigidos em sua funcionalidade. A crueldade era o "critério" de rotina, no entanto, ainda assim, se exigia que a mesma tivesse função social. Não se permitia uma crueldade gratuita individual apenas por soberba ou propina (que o diga um Calígula), coisas do tipo. Até a crueldade para os outros, como também para com a tropa, tinha que ter esse sentido coletivo. Buscar um elo com o bem estar coletivo. Essa preocupação até os corruptos sabidos dos dias atuais deveriam ter.


O TRE, com sua alta corte bem recompensada, assim como todas as instituições com autoridade para barrarem a corrupção e abusos, e que sabem bem demais de tudo que ocorre no estado das coisas; hoje nada mais tem a fazer que encarar a inteireza de suas escolhas. A consequência que seus atos gerarão para si mesmos em curta demora. A verdade vai chegar, questão de tempo, e será tão deselegante às instituições e atores inúteis, quanto um simples sacudir de árvores era. Se por ventura, autoridades pensarem que o poder do cargo existe como uma magia por si mesma, já dando sentido inato à impunidade e o privilégio de intocabilidade. Irão perceber que, mais que dolo cúmplice, trata-se de ilusão suicida mesmo. Novas forças pró-justiça movem o país. E existem dentro das instituições, como que as redesenhando, incubando mudanças funcionais e anti-arrumadinhos. Quer os de cima as enxerguem ou não.


O Brasil vive processo delicado, e se engana quem acha que a grande escolha a ser feita pelo cidadão moderno é ser de direita ou de esquerda. A grande escolha, ante a falência institucional e republicana aguda, é ser decente ou não o ser. A decência e a integridade estarão na moda nesse país, nesse estado, é tudo questão de tempo. E o tempo sinaliza essa necessidade visceral para nossa coesão social... E uma necessidade de vida ou morte para a coletividade, se auto-impõe como uma força da natureza.


DÁ O QUE PENSAR:


O ex-governador Cássio, antes de classificar como nojento o que ocorreu até agora no julgamento da AIJE do Empreender, falou que apreciadores de vinho podem levar o TRE a morosidade e a falhas...


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