• Renato Martins

UM BOM E UM RUIM DE CADA PERFORMANCE NO DEBATE...

Atualizado: 16 de Ago de 2018


Foto da Internet

Vamos aos episódios fortes e fracos de cada um ontem:


Tárcio, do PSOL: foi bem menos do que se espera de um franco atirador nesta situação, com mais liberdade estratégica e sem pressão. No entanto, teve o mérito de não ser exótico, fugindo do estigma que transformou alguns outros tantos em candidatos folclóricos no estado. Tentando ser um esquerda tipo radical-ponderado, se fixou bem na defesa do funcionalismo público. Lembrou bem mais que todos os outros esse segmento. Mostrou qualidades para o eleitor que crer num estado que gera riqueza a partir do nada, e não dos impostos do trabalho em geral. Acho pouco para quem deveria mostrar de peito aberto um projeto civilizatório de esquerda para o estado. A opção pelo corporativismo na fala, também lhe botou num nível de candidato pragmático, sem idealismo, talvez pensando em 2020. Seu ponto forte foi o açoite dado no tema sobre o “super-salário” de João. Este perdeu a pose, atropelou a fala de Tárcio impedindo a análise do mesmo. Réu confesso da gula por privilegio, João tentou calar no grito. Tárcio firmemente não se quedou. Sobre isso, demonstrou claramente que não é laranja de ninguém. Isso, em si, é fator que pode lhe potencializar no futuro.

João Azevedo: Teve como ponto forte, para quem assim prefere, o fato de cada vez mais se esforçar para parecer Ricardo, da entonação de voz a linguagem corporal bem treinada. Esforço de RPG politico mimético que já mostra resultados positivos na arte do imitar, ruim, só, caso venha a se tornar algo estilo “zumbi do governador”. O resultado pode ser de espantalho? Só o tempo dirá. Seu ponto fraco foram às falas sobre segurança. Dados esquisitos que se somam ao seu desmontar-se, deselegante, como já dito acima, na hora de explicar o super-salário bem superior ao teto de 33 mil reais.

João ainda está na fase zumbi de RC, talvez tenda a melhorar durante a campanha. Não falou, nem o perguntaram, sobre seu principal ponto fraco como gestor: que seria explicar o motivo de quase todas as obras do estado serem aditivadas com seus preços majorados, bem a mais que os dos contratos iniciais. Erro de engenheiro que ganha super-salário no setor público? Numa empresa privada seria rua.

Obs: Quando questionado sobre Lígia, ele a colocou no lugar que ela pediu para ficar. Pra lá da marca de escanteio. No entanto, talvez tenha sido ele o mais decepcionante do debate, não digo derrotado. Nem perdedor de votos que já tivesse. O debate não apontou isso de ninguém. Entretanto, pela expectativa que criam em torno dele, há que se registrar certa frustração. Um êxito dele foi a pegadinha que claramente mostrou que Lucélio não sabia onde ficava Santa Inês. Sim, essa pegadinha ele mandou bem. Vamos a Lucélio então...

Lucélio: Ponto fraco se deu na demonstração de não saber onde fica Santa Inês. Também derrapou quando Maranhão lhe lembrou sua primazia na idéia de fazer o hospital de Trauma do sertão em Patos. Deslizes duros. Teve ponto fortíssimo no início, deu até impressão que ia "estourar", quando botou João no bolso no embate sobre segurança o fazendo gaguejar. Mas quando Maranhão falou da lentidão da obra da beira-rio, e do ritmo lento de outras mais como o Parque Cuiá sequer iniciado. Vejam que a questão não é só os desvios que possam ter ocorrido na desapropriação feita na gestão do PSB, caso que a justiça deve resolver, mas, do parque não constituído nos 6 anos, que o descredencia para prometer o parque na Granja Santana. Cartaxo também fez gol contra ao tentar ser uma espécie de co-gestor do irmão. O que constitucionalmente não é permitido no serviço público. Nesta atividade não existem e nem devem existir sócios. Podem fazer arte juntos. Falo do picolé de Manga. Gestão pública, no modo correto, não!

Maranhão: Tem um recall forte que lhe da credibilidade para prometer, isso o põe numa vantagem boa. Demonstrou imensa melhoria de desempenho, tendo em vista sua histórica limitação em debates. Impôs seu estilo e foi muito bem ao falar de suas obras hídricas contra João. Falou do Cuía, parque não feito nem pelos girassóis nem por Cartaxo e "mandou ver" quando falou que a Granja Santana virará um centro de tecnologia para a juventude. Uma inovação boa. Teve como ponto fraco o erro ao deixar Cartaxo falar muito tempo na etapa final de conversa livre de 4 minutos. Excesso de educação em debate esbarra na realidade brutal da competição por tempo em emitir mensagens, e Maranhão que tem muito a dizer, tem menos tempo de propaganda para falar. Não pode, portanto, perder tempo!

O candidato tenta seguir, acertadamente, uma rota argumentativa segura que passa pelo tripé: falar o que fez; mostrar que pode fazer mais, e o desafio de mostrar o terceiro ingrediente da inovação. Cabe melhorias no último quesito. No mais, falou em saúde, educação profissionalizante, porto de águas profundas, ampliação da BR 230, atração de indústrias. Foi mais diversificado que os outros. Nessa missão de combinar passado e futuro com seu constante presente de honestidade, pode crescer ainda mais.

Conclusão: considero que o debate, tomado isoladamente, não foi capaz de mudar votos já decididos nem atrair os indecisos. Neste ponto não da para buscar vitorioso como que em uma partida de futebol. Só olhando ao placar. Nesse contexto, reafirmo que cabe mesmo é procurar o realmente honesto e realizador. Que não esteja envolto em inquéritos ou investigações.

Eleição não é futebol. A razão que faça cada um buscar critérios para bem analisar. Eu continuo na tecla, de que, quem é honesto, pode fazer mais. Sobretudo quem já fez antes. Com estes dois critérios preenchidos: somente Zé Maranhão!

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